Uma onda de desinformação inundou as redes sociais, depois do apagão de segunda-feira, com narrativas que apontavam, por exemplo, «grupos russos» como responsáveis pelo suposto ataque.
Foram várias as mensagens e vídeos que circularam nas redes sociais, como o WhatsApp e o TikTok, que transmitiram conteúdo falso ou descontextualizado sobre o incidente.
Por exemplo, um texto atribuído à CNN, aparentemente assinado por Bruxelas, apontava «grupos russos apoiados pelo Estado» como responsáveis por um suposto ciberataque que teria atingido 15 países europeus.
O artigo, que incluía declarações falsas atribuídas à presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, não foi publicado no meio de comunicação, tendo inclusive a CNN Portugal desmentido a informação.
Outra narrativa difundida pela agência Reuters afirmava que o «apagão» era causado por um «fenómeno atmosférico raro», aparentemente chamado «vibração atmosférica induzida».
A reportagem atribuía as informações à REN – Redes Energéticas Nacionais, responsável pela distribuição de energia em Portugal, tendo sido partilhada por diversos outros meios de comunicação, embora mais tarde a agência de notícias tenha retificado o erro.
Além disso, uma notícia de 2021, sobre um avião de combate a incêndios que danificou uma linha de alta tensão em França, provocando cortes de energia em Portugal e Espanha, foi compartilhada novamente em aplicações como WhatsApp e noutros canais.
Segundo a BBC, embora o acontecimento seja verdadeiro, a história não tem qualquer relação com o apagão que afetou o país na segunda-feira.
Em redes sociais, como o TikTok, diversos vídeos referiam que a «reposição total da energia elétrica em Portugal levaria pelo menos 72 horas», numa mensagem aparentemente atribuída às distribuidoras de energia.
Através de uma comunicação oficial, tanto a REN como a E-Redes, empresa que gere a distribuição de energética, desmentiram qualquer previsão de três dias para a normalização do fornecimento.
Outra mensagem associada à E-Redes informava que «um problema na rede elétrica europeia afetou a rede nacional», assim como «regiões na Espanha e França», consequência de «avarias em linhas alta tensão de 400 mil volts».
Apesar disso, no primeiro comunicado a empresa apenas informou que o país estava a sofrer constrangimentos, mas não indicou o motivo.
O corte generalizado no abastecimento elétrico afetou segunda-feira, desde as 11h30, Portugal e Espanha, continua, no entanto, sem ter explicação por parte das autoridades.
Aeroportos fechados, congestionamento nos transportes e no trânsito nas grandes cidades foram algumas das consequências do apagão.
Entretanto, esta manhã, a empresa responsável pela gestão da rede elétrica de Espanha descartou a possibilidade de um ciberataque à companhia.
O operador de rede de distribuição de eletricidade E-Redes garantiu hoje ao início da manhã que o serviço está totalmente reposto e normalizado, tal como barlavento noticiou.
A energia elétrica já foi reposta aos 6,4 milhões de clientes do país, que está agora «ligado com normalidade» e, durante a noite, não se verificaram perturbações de segurança ou de proteção civil, segundo adiantou hoje o governo.