O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, apelou ao voto dos portugueses, apesar do seu feitio e estilo, alegando que «nem Jesus agradou a todos» e que está em causa um novo «modelo de país».
«No fim do dia, quando vocês escolherem, não estarão a escolher o vosso companheiro de viagem. Vocês estão a escolher o líder de uma nação e estão a escolher o representante de uma nação. Quando votam para o Presidente da República, não estão a escolher o vosso melhor amigo. Estão a escolher que país querem e que líder querem para liderar esse país nos próximos anos», realçou André Ventura, num discurso durante uma ação de pré-campanha para as eleições presidenciais, no Espaço Multiusos de Albufeira, no sábado, dia 3 de janeiro.
Após um jantar-comício, o candidato apelou ao voto e chegou a comparar a sua figura à de Jesus que também «não agradou a toda a gente».
«Eu tenho um feitio próprio. Tenho também uma forma própria de falar e tenho um estilo próprio de quem se sente indignado com o país. Nem todos gostam do estilo, nem todos gostam do feitio, nem todos gostam da forma de falar. É o que é. Tenho a certeza que quando escolheram os vossos maridos e as vossas mulheres, não adoraram tudo neles», comparou.
Afirmando que se apresenta aos portugueses «como uma alternativa», Ventura garantiu que não vai abdicar da sua forma de atuar, continuando a «falar mais alto», «levantar a voz» ou «esbracejar».
«Nos tempos de antena, que vão sair amanhã, eu deixo um desafio aos portugueses: que país querem daqui a uns anos? Muito mais do que gostarem do André Ventura ou não gostarem do André Ventura ou do Chega, a questão é que país é que queremos», defendeu.
Na reta final do discurso, Ventura visou alguns dos seus adversários na corrida eleitoral, afirmando que o país não vai crescer «com palavras bonitas» e com apelos «para gerar consensos».
«Nós precisamos de um Presidente que seja o condutor de Portugal. E eu quero conduzir-vos ao futuro. Eu quero conduzir-vos a uma nação com orgulho outra vez. (…) É para isso que vou vencer as presidenciais do dia 18 de janeiro e do dia 08 de fevereiro de 2026», antecipou.
Durante a sua intervenção, André Ventura, pegando na bandeira pelo lado contrário à sua disposição normal (ficando o vermelho à esquerda e o verde à direita), considerou que estrangeiros que não gostem deste símbolo nacional e que acusem os portugueses de terem sido «esclavagistas» e «imperialistas» devem ser expulsos.
«Meus caros, Zzt! De volta logo para a terra deles», disse.
O candidato insistiu na ideia de que Portugal tem de impor regras, defendendo «um país em que quem vem não vem buscar subsídios, vem trabalhar e vem integrar-se».
Segundo o jornal Expresso, entre janeiro e outubro de 2025, os estrangeiros totalizaram mais de 3,1 mil milhões de euros em contribuições à Segurança Social, quando receberam apenas 613 milhões de euros em prestações sociais.
Durante cerca de meia hora, Ventura falou dos últimos 50 anos de democracia como «50 anos de bandalheira» e dirigiu-se também ao antigo primeiro-ministro José Sócrates.
«Se eu ganhar [as presidenciais] o teu tempo está a chegar ao fim», vincou o candidato a Presidente da República, num país onde há separação entre o poder político e judicial.
À chegada ao jantar-comício em Albufeira, André Ventura foi recebido por Rui Cristina, presidente da Câmara, um dos três municípios que o Chega conquistou nas autárquicas de outubro de 2025.
Além do autarca, no multiusos marcaram presença vários deputados do partido, num ambiente de festa, que começou por volta das 17:00 e terminou perto das 22:00, com vários momentos musicais, onde se ouviu desde ópera de Puccini à «Cabritinha», de Quim Barreiros.