«Com a evolução da sociedade, cada vez mais os animais fazem parte das famílias. Gostamos de partilhar e fazer tudo com eles. No entanto, há muitas restrições que nos impedem de usufruir da sua companhia. É o caso das praias», explica Nuno Vaz Correia, um louletano de 39 anos, e autor da petição. «Porque não criar uma praia canina?» pioneira no Algarve, onde há uma grande extensão de praias, questiona?
Em sua opinião, «seriam necessárias regras. Por exemplo, vacinação obrigatória, registo nas juntas de freguesias, controlo de entradas e saídas. Imagine-se uma praia com porteiro, acesso controlado, guarda-sóis próprios, pontos de água, sítios para os cães se passarem por água depois do banho no mar», sugere.
A ideia já nem é uma novidade. Em Itália, existe a praia «BauBeach», um paraíso para os cães, localizada a poucos quilómetros de Roma. Os donos pagam quatro euros por dia. Com mais de sete mil metros quadrados, pode receber em simultâneo até 100 animais. Os cães devem apresentar um boletim de saúde atualizado, pagar uma inscrição anual, e tirando os animais em período de cio, qualquer cão é livre de frequentar a praia.
Em 2013, também as ilhas canárias de Las Palmas, inauguraram a «Bocarranco». O espaço é aberto a todos os animais com vacinas em dia, identificados e desparasitados. É obrigatório que cada animal seja acompanhado por um responsável.
Caso seja considerado eventualmente perigoso, o animal deverá ter açaime e trela. A área de seis mil metros quadrados possui vários placares com as normas de utilização e conta com vários caixotes do lixo e funcionários de limpeza.
«Tenho tido feeback bastante favorável. Perguntam-me o que podem fazer, identificam-se e querem-se envolver», diz.
Correia é otimista e acredita que «é possível desfrutar da praia com os cães, respeitando o meio ambiente e mantendo a qualidade balnear. Tudo depende da educação e civismo de cada um».
A opinião encontra suporte no artigo 10 do decreto de lei 159/2012 de 24 julho: «a situação está prevista na lei, podendo perfeitamente ser criadas zonas específicas para cães. E quem pode fazê-lo, é a Agência Portuguesa do Ambiente em conjunto com as câmaras municipais».
Na petição pode ler-se: «não são os animais que são porcos, são os seus donos que não são civilizados, por isso a existência de uma praia especialmente destinada a estes nossos amigos, obrigaria a uma maior consciencialização». «Sendo o concelho de Loulé um destino de eleição para uma grande fatia de visitantes nacionais e estrangeiros, podia, adotar uma posição de liderança, criando a primeira praia canina de Portugal».
Incidente com cães em praia de Quarteira
Correia lamenta o ataque de um cão na praia do Vidal, em Quarteira, no passado dia 29 de julho. Dois cães de porte médio e raça indeterminada, deambularam sozinhos pelas praias, e um deles acabou por atacar um veraneante. O homem de 57 anos foi mordido na perna e mais tarde assistido no centro de saúde de Loulé. Fontes policiais disseram ao «barlavento» que os cães não possuíam identificação. Porém, como estavam «bem tratados presume-se que não sejam vadios». Foram recolhidos e levados para o canil municipal, e vão permanecer de quarentena, até que o veterinário municipal determine o seu destino.