André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, diz que apesar de a United Airlines ter cancelado a nova rota entre Faro e Nova Iorque, a aposta no mercado norte-americano mantém-se.
O cancelamento «não era a notícia que desejávamos, mas continuamos a trabalhar estrategicamente rumo àquilo que tínhamos definido», pois os Estados Unidos da América (EUA) continuam a ser «um mercado estratégico para nós», disse hoje ao barlavento André Gomes, presidente do Turismo do Algarve.
O responsável não esconde alguma desilusão mas reforça que se este mercado «vinha a registar crescimentos na ordem dos 70 por cento desde a pandemia, não há razão para que não continue a representar o mesmo potencial daqui para a frente. Até porque, não obstante, temos um aumento do número de lugares da Air Transat, com a ligação direta para o Canadá».
Há ainda a opção «da SATA via Açores, que por sua vez, tem ligação ao mercado norte-americano». Gomes diz ainda que ao longo deste ano, «temos um conjunto de ações dirigidas ao mercado dos EUA. e vamos realizá-las na mesma. Portanto, não é por a rota não ter início que que nós vamos desmobilizar» a promoção naquele país.
Ainda assim, a notícia foi um surpresa. «Claro, não havia informação nenhuma, antes pelo contrário, de que a nova rota não se começasse a concretizar-se já este ano. Fui alertado durante o fim de semana, perante algumas notícias da imprensa especializada da aviação e que apontam algumas razões e algumas motivações para tal, mas sim, de facto, não esperávamos».
André Gomes diz que até à data desta entrevista não recebeu qualquer informação oficial por parte da companhia aérea sediada em Chicago.
«Ainda não. Mas queremos crer que sim, que haverá certamente. Cada vez que há uma nova rota, compete à companhia anunciá-la. Todas as novas rotas que temos tido notícia aqui para a região, é sempre a primeira companhia aérea a comunicá-la. Estou a reagir em função daquilo são as informações disponíveis no momento».
Questionado sobre se há outra companhia interessada nesta rota, ou nos slots que ficam livres, o presidente não fecha portas.
«Em relação aos slots, não sei, não somos nós que gerimos isso, mas será uma dor de cabeça grande para para o Aeroporto de Faro. Como já antes vínhamos a trabalhar com mais do que uma companhia aérea para concretizar esta rota, os contactos mantêm-se. Portanto, poderá sempre haver a hipótese de podermos ter esta rota com outra empresa. Não deixámos de trabalhar essa vertente em função daquilo que foi o anúncio da rota da United Airlines», admite.
Para este ano, contudo, «parece-me difícil ou impossível, porque as rotas já têm início neste período de abril/maio, quando começa o verão IATA ou então em setembro/outubro quando se trata de de rotas da época baixa».
André Gomes mostra-se otimista e não antevê consequências imediatas para a economia algarvia. «Não vou dizer isto que vai ter um impacto negativo. Se antes já vínhamos a ter um crescimento por parte de turistas e de investimentos norte-americanos na região, mesmo sem rota direta, se calhar, esbarrará perante aquilo que eram as expectativas, mas como disse, temos outras opções que representam oportunidades para continuarmos a trabalhar este mercado. No fundo, a nossa estratégia mantém-se».
Por sua vez, Hélder Martins, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) considera que «é uma má notícia que lamentamos e que já nos foi confirmada por fontes do Aeroporto de Faro. Era uma rota que estava a ter muita adesão e um load factor muito bom. Sabemos que os passageiros que já tinham comprado bilhete estão a ser salvaguardados com alternativas. Agora, é natural que poderá ter impacto nas reservas que poderiam ainda ser feitas. Era uma facilidade maior ter uma ligação direta ao mercado americano».
Segundo o presidente da AHETA, os hoteleiros algarvios continuam «otimistas, pois é um mercado com muito potencial. Vamos ver também que impacto terá a nova ligação Faro-Ponta Delgada da SATA, já que o aeroporto açoriano tem ligação com muitos locais nos EUA e Canadá».