Alexandre Agostinho confidenciou ao «barlavento» que, no início, não era muito bom. A melhoria foi gradual e fruto de muito trabalho. Concluiu uma licenciatura em fisioterapia e considera-se um nadador semiprofissional, tendo sido chamado à seleção nacional de juniores, aos 18 anos, para participar nos campeonatos europeus da categoria.
barlavento – Que aconteceu depois dessa convocatória?
Alexandre Agostinho – Em 2006 consegui o meu primeiro título nacional, o qual, desde então, consegui sempre revalidar, nos 50 metros livres. Sou recordista nacional dos 50 e dos 100 metros livres, tanto em piscina curta, como em longa. Tenho muitos títulos nacionais, mas não sei quantos ao certo. Nos últimos dois anos, optei por me dedicar apenas aos 50 metros.
E em provas internacionais, que resultados tem obtido na sua carreira?
Desde 2006 que integro a seleção nacional de seniores, tendo assim participado em vários campeonatos do mundo e da Europa. Só me faltam os Jogos Olímpicos. Fui finalista aos 100 metros, no campeonato da Europa de piscina curta, fui semifinalista em várias ocasiões, nos 50 livres, nos mundiais, mas ainda não subi ao pódio.
A nível internacional, confirma que a natação portuguesa está ainda num patamar baixo? A seu ver, quais as razões?
Há vários fatores. Sobretudo, há pouco apoio aos atletas seniores, o que leva a uma desistência precoce. Geralmente, aos 18 anos, assim que entram na universidade, desistem do desporto. Por um lado, torna-se difícil conciliar a modalidade com os estudos. Por outro, faltam os apoios financeiros. Patrocínios, só se conseguem se formos atletas de topo. E mesmo assim, temos nadadores de grande qualidade, que já foram aos Jogos Olímpicos e conseguiram medalhas em campeonatos da Europa, que conseguem apoios, mas não os suficientes. A natação não atrai muitos patrocinadores pela pouca visibilidade que a modalidade tem. A desistência dos nadadores dá-nos pouca matéria-prima para trabalhar, e isso revela-se nos resultados.
O elemento financeiro é, então, a principal causa da pouca qualidade da nossa natação?
Há vários outros fatores que também contribuem. A metodologia e as condições de treino, a análise e implementação de regimes de nutrição.
A falta de equipamentos, também?
Há boas piscinas em Portugal, como Lisboa, Rio Maior, Coimbra…
Falemos da nossa realidade, o Algarve, ou melhor, a sua cidade, Portimão?
O nosso grande handicap é não termos uma piscina de 50 metros. Penso que foi o grande motivo pelo qual ainda não consegui ir aos Jogos Olímpicos. Mas temos de fazer com o que temos.
Os clubes como a Portinado, fazem a formação e, depois, perdem os atletas?
Não nos posicionamos como um clube de formação. As circunstâncias dizem que sim, mas temos um plano que não serve apenas para a formação. Se o atleta decidir ficar cá, tem condições para evoluir a nível internacional. O problema é que as pessoas, aos 18 anos, vão embora. Eu optei por estudar no Instituto Piaget, em Silves, porque pensei que a Portinado seria o melhor clube para mim, em termos de metodologia de treinos…
Como qualquer atleta, deseja ir aos Jogos Olímpicos. Como está em termos de qualificação?
Já falhei por duas vezes. Na última vez, para Londres, fiquei muito perto. Pode ser que à terceira seja de vez. Após Londres, parei um ano, mas decidi voltar para fazer mais este ciclo até ao Rio de Janeiro. O meu objetivo principal é a classificação para os 50 metros livres.
Como se processa a qualificação?
De duas maneiras. Ou se consegue a classificação A, que dá acesso direto, ou um mínimo B, que já fiz, e esperar até ao final de 2016 pelo rateio dos atletas. O meu objetivo, este ano, é fazer o mínimo A ou melhorar o meu mínimo B.
A que distância está do tempo necessário para a qualificação A?
A 40 centésimos de segundo, ou seja, um antebraço. Se conseguir bater o meu recorde nacional, estou lá.
E depois das Olimpíadas?
Esta poderá ser a minha última época. Depois, vou dedicar-me à minha área profissional, a fisioterapia, mantendo-me ligado à natação enquanto treinador.
Por falar em fisioterapia, a natação é um desporto fértil em lesões?
Sim, por causa das repetições, que causam desgaste, principalmente ao nível dos ombros. Há dias li que um nadador faz três ou quatro milhões de rotações de braços, ao longo de uma carreira…
Vaivém regional para a competição internacional
Alexandre Agostinho necessita de deslocar-se a Quarteira para nadar numa piscina de 50 metros. Além das despesas inerentes às deslocações, e ao tempo gasto nas mesmas, ainda se confronta com as dificuldades de falta de disponibilidade de horários e do pagamento pelo uso da própria piscina. Já esteve prevista a construção de uma piscina longa em Portimão, foi lançada a primeira pedra, mas a intenção ficou-se por aí. Nas condições financeiras atuais do município, não se prevê que venha a ser uma realidade, nos tempos mais próximos.