Volta a Portugal regressa a Albufeira integrada no programa da Cidade Europeia do Desporto 2026, com chegada de etapa prevista para agosto.
Albufeira vai acolher a chegada de uma etapa da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta, entre 5 e 16 de agosto, marcando o regresso da «Grandíssima» ao concelho no ano em que ostenta o título de Cidade Europeia do Desporto 2026. O anúncio foi feito por Rui Cristina, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, na sexta-feira, 20 de fevereiro, durante a apresentação do programa oficial.
A última passagem da prova pelo concelho ocorreu em 2018. Nessa edição, Albufeira recebeu uma etapa de 191,8 quilómetros com partida em Alcácer do Sal, vencida pelo italiano Riccardo Stacchiotti. A estreia remonta a 2003, quando foi ponto de partida da 65.ª edição, numa ligação a Tavira.
A opção por uma chegada, e não uma partida, resulta de constrangimentos logísticos. «A partida é complicada porque recebemos milhares de turistas», explicou Rui Cristina. «Já uma chegada em agosto é, em si, um risco considerável» — razão pela qual o município optou por esse formato. O dia exato da etapa ainda não está confirmado.
O regresso partiu da autarquia. «Foi algo bipartido, mas a iniciativa avançou da nossa parte», afirmou o presidente, referindo-se à articulação com a Federação Portuguesa de Ciclismo, que retomou este ano a organização da prova após a resolução antecipada do contrato com a Podium Events, em parceria com a empresa internacional Emesports.
Programação ainda está em aberto
A etapa daquela que será a 87.ª edição da prova integra a programação da Cidade Europeia do Desporto 2026. O programa, que ainda não está fechado, inclui o Beach Tennis Tour entre 3 e 8 de março, o Campeonato Nacional de Triatlo de Super Sprint, um torneio profissional de squash, a Taça de Portugal de Ginástica Acrobática e a Taça de Portugal de Ciclismo Feminino.
«O nosso combate é combater a época baixa. Os eventos federativos encaixam bem nessa lógica, porque no verão já temos de tudo», disse Rui Cristina aos jornalistas. A chegada da Volta a Portugal, em agosto, é assumida como exceção: «Já é arriscarmos um pouco».
O executivo pretende reforçar também a aposta nos desportos náuticos. «Este é um concelho que está geograficamente virado para o mar, mas se fizermos uma análise honesta, não tem vivido para os desportos náuticos. É algo que vamos ter de trabalhar», afirmou.
A gala oficial de abertura realiza-se na sexta-feira, 28 de fevereiro, a partir das 17 horas, e terá um foco na «identidade albufeirense». «Esperamos encher completamente este equipamento. Estamo-nos a esforçar para isso e são todos bem-vindos», disse o autarca.
Herdámos o galardão, mas não herdámos qualquer planeamento»
Rui Cristina admitiu que o programa está a ser preparado sem transição formal do anterior executivo. «Herdámos o galardão, mas não herdámos qualquer tipo de calendarização. O planeamento que veio do anterior executivo é zero», afirmou. «Não vou lançar acusações nem insinuações. Estou apenas a ser factual», ressalvou.
Por isso, «ainda estamos a desenhar. Reunimos com as federações e com os técnicos das divisões de turismo e de desporto — nada estava calendarizado».
A gala de abertura reflete essa urgência. «Este tipo de cerimónia costuma acontecer logo em janeiro», reconheceu.
Investimento sim, mas de acordo com as possibilidades
O autarca afastou novas construções. «A situação financeira deste município não é a desejável. Não estou a dizer que estamos na bancarrota, nem de perto nem de longe. Mas estamos a analisar que tipo de investimento podemos fazer», afirmou. «Não há projetos para tal. Será apenas um alargamento».
Quanto ao retorno financeiro, a autarquia prevê encomendar um novo estudo no final do ano. «Não basta investir. Devemos saber o que podemos receber em troca», disse. Como referência, citou o documento elaborado pela Universidade do Algarve (UAlg) sobre a passagem de ano de 2023 em Albufeira, coordenado por Maria João Custódio e Fernando Perna e publicado em 2024, que apontou para um impacto económico direto entre 15 e 16 milhões de euros, para um investimento de cerca de um milhão.
Para 2027, as expectativas são mais moderadas. «Não teremos os mesmos eventos de 2026. Este é o ano de maior intensidade», concluiu Rui Cristina.
A 87.ª Volta a Portugal vai passar pelo Algarve após oito anos de ausência desta prova na região. O evento marca uma nova fase organizativa. Depois da resolução antecipada do contrato com a Podium Events, volta à esfera da Federação Portuguesa de Ciclismo, em parceria com a Emesports, modelo que integra também a Volta ao Algarve e a Volta ao Alentejo. A competição aproxima-se do centenário em 2027.