Com o pico do verão a trazer mais de 40 mil passageiros por dia, Alberto Mota Borges, diretor do Aeroporto de Faro diz estar «satisfeito» com a performance do terminal e desdramatiza as críticas.
A notícia avançada pelo «barlavento», a 14 de julho, dando conta de longas filas, confusão e tumultos na zona de controlo de passaportes à chegada do Aeroporto de Faro, mereceu resposta por parte do atual diretor, Alberto Mota Borges.
Em entrevista, o responsável começou por sublinhar que a região colhe os frutos de «um trabalho significativo por parte da ANA e dos stakeholders ligados ao transporte aéreo, no sentido de tirar partido das circunstâncias e da segurança do destino» que resulta «até ao dia 27 de julho, num aumento de 18 por cento de passageiros», em comparação a igual período de 2015.
Em relação aos constrangimentos, numa altura em que o Aeroporto bate recordes, o responsável explicou que «63 por cento do tráfego em Faro é não-Schengen e por isso, o aumento de intensidade na procura de fronteira, faz-se sentir».
«O que fizemos antecipadamente, de acordo com o planeado e em função das obras e dos vários subsistemas que têm de estar alinhados, foi pedir ao SEF que intensificasse a utilização de recursos humanos na fronteira à chegada». O reforço foi feito a 18 de maio, com 12 elementos «para antecipar a procura», garantiu.
Alberto Mota Borges desvalorizou as críticas, sublinhado que «desde 18 de maio, não tem havido problemas no controlo de fronteiras, tanto à chegada, como à partida», afirmação que suportou com números.
«Pode ter havido um momento ou outro de alguma de disrupção», admitiu, situações justificadas por «atrasos de voos» na Europa e pelas «greves de controlo de tráfego aéreo em França e em Espanha». «Todo esse aglomerado pode provocar algum constrangimento, mas nada de extraordinário».
Segundo o diretor do Aeroporto de Faro, «o tempo médio de espera nas partidas foi de 1 minuto e 54 segundos. E 90 por cento dos passageiros estiveram menos de 3 minutos e 41 segundos» na fila para embarcar para os seus destinos.
Nas chegadas, «tivemos uma média de 3 minutos e 48 segundos. E mais de 90 por cento dos passageiros, estiveram menos de 7 minutos e 49 segundos» à espera de entrar em território português. «Os números são bastante bons, comparativamente a outros aeroportos nacionais e estrangeiros», considerou.
Para Mota Borges, «o SEF teve um enfoque e uma atenção relativamente ao Aeroporto de Faro como já não se via há alguns anos». «O que toda a gente me refere é que o SEF nunca teve um funcionamento tão eficaz, como está a ter este ano. O próprio sub-diretor já esteve na linha para dar o exemplo!».
Ainda citando dados estatísticos, o responsável sublinhou que «no mês de junho tivemos 913 mil passageiros. O mês de maior procura em 2015 foi agosto com 930 mil passageiros. Portanto, o mês de junho de 2016 já foi o agosto do ano passado. Estes números já incorporam esta intensidade de procura», compara.
Questionado sobre a remodelação do terminal em curso, cujo plano prevê um aumento de 50 por cento, ou seja, a dobro da área para o controlo de passaportes à chegada, o responsável considera que será suficiente no futuro. Mesmo que a tendência de procura pelo Algarve se mantiver em alta. «Na minha opinião, é. No próximo verão, vamos ter os fluxos separados. Isto é, os passageiros Schegen e não-Schengen vão seguir circuitos diferentes à chegada» ao contrário do que acontece hoje.
«Aí teremos todas as condições para que o fluxo de passageiros funcione com grande eficiência. Vai ser um espaço mais moderno, mais funcional e mais ajustado ao perfil de cliente» atual de Faro.
Nas partidas, «vamos ter uma área significativa alocada aos passageiros não-Schengen. Fazem o controlo de segurança no Raio-X que passará a ser no primeiro andar, descem para o controlo de fronteira e passam à área comercial. Em termos de rapidez, o acesso à porta de embarque é imediato. Vamos duplicar as boxes de partida para 10» unidades.
Já em relação à obra que considera «muito complexa num terminal a funcionar» está a decorrer dentro do prazo, com a conclusão prevista para março de 2017. «A parte mais sensível de interação com os passageiros já decorreu. Daqui para a frente, em agosto e setembro, os trabalhos vão decorrer em zonas centrais, mais isoladas» para evitar contratempos.
E depois do verão? «Somos otimistas. No inverno do ano passado crescemos 20 por cento em número de passageiros. Até ao momento já temos indicação de um crescimento de 10 por cento para o período que vai do último fim de semana de outubro até ao último de março».
Além do golfe que «foi um caso de sucesso, agora temos de criar outros produtos para que os passageiros que nos visitam na época baixa tenham uma experiência magnífica», concluiu.