O que fazia o actual director executivo do SNS antes de ser nomeado? Era um médico tarefeiro, mercenário, que fazia urgências em vários hospitais, contratado a preços exorbitantes, que poderia ir de 50 a 100 euros à hora, isto para não exagerar.
Mais um dia, mais um domingo e a saúde infantil no nosso Hospital vai de mal a pior, com urgência pediátrica encerrada, o que inviabiliza o bloco de partos e a maternidade.
O Barlavento Algarvio em crise e o mais grave, é que o Hospital Central de Faro também não está melhor nestas valências e a curto/médio prazo no Algarve, corremos o risco de só o Hospital das Gambelas, instituição privada de Saúde poder responder, mas só para quem puder pagar ou tiver seguros de saúde ou o Estado pagar estes serviços aos privados.
E pelos últimos discursos dos nossos governantes e do director executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), tudo leva a crer que é o que vai acontecer, aniquilando por fases, os cuidados públicos de saúde.
Aliás, o que fazia o actual director executivo do SNS antes de ser nomeado? Era um médico tarefeiro, mercenário, que fazia urgências em vários hospitais, contratado a preços exorbitantes, que poderia ir de 50 a 100 euros à hora, isto para não exagerar.
Daí, eu que trabalhei 42 anos no SNS, a maior parte em exclusividade e não concordar com este tipo de contratações, que só têm promovido o mal-estar e a saída de profissionais de saúde, em especial de médicos do SNS, não augurar nada de bom nos próximos tempos e especialmente no Algarve. A não ser que a CUF SAÚDE, que se perfila para «dominar» a saúde nesta região, não o permita!
O actual partido político no governo afirma que herdou um SNS em queda, em que nada foi resolvido pelo partido socialista do anterior governo e que não é em meia dúzia de meses que consegue pôr de pé o que tanto custou a erguer. E é verdade. O Partido Socialista (PS) contrapõe hipocritamente, que o SNS está agora muito pior que há um ano, com serviços de urgência encerrados por períodos longos, o que não acontecia há um ano.
Em oito anos e com maioria absoluta, o PS não teve capacidade, não soube ou não quis tomar as medidas que se impunham para resolver o problema da Saúde. A não ser o Plano de Emergência, não vislumbrei ainda neste governo do Partido Social Democrata (PSD), na ministra da Saúde ou no director executivo, nenhuma frase ou medida para resolver o SNS.
Vi sim, em outras profissões, descongelamentos de carreiras, aumento das remunerações, subsídios de risco, motivações para o desempenho de funções. Em relação aos profissionais de saúde zero medidas. Ora assim não há motivação para manter ou atrair profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares ou outros) para o SNS.
Aproveito esta oportunidade para dar a conhecer um paragrafo de um artigo de opinião na revista da Ordem dos Médicos, de alguém muito conhecedor da gestão e organização das instituições de saúde, membro da direção da Competência em Gestão dos Serviços de Saúde: «O médico como gestor em saúde beneficia da vantagem única da sua perspectiva profissional como ferramenta da gestão essencial. Os médicos são os mais bem preparados para a liderança e gestão hospitalar».
Não é o que se passa na maioria dos C.A. dos hospitais portugueses, em que o administrador hospitalar é o presidente, o que tem conduzido a uma gestão deficiente, desorganizada e sempre ao belo prazer dos governantes, quais lambe-botas para garantia de emprego!
Felizmente nem todos os administradores hospitalares são assim e eu conheço alguns, competentes e capazes, embora em número escasso.
ACORDEM CAROS AMIGOS ALGARVIOS E RESIDENTES NO ALGARVE. A SAÚDE NÃO TEM PARTIDO E TEM DE SER DE TODOS E PARA TODOS!
(Portimão, 25 de Agosto de 2024/Escrito segundo antiga ortografia)
Luis Manuel de A. R. Batalau
Médico – C.P. 13805