Até já há lista de espera. «A adesão tem sido uma enorme surpresa», explicou Telmo Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, ao «barlavento».
A «Academia do Saber», temporariamente localizada em frente aos antigos bombeiros, tem-se revelado um projeto de grande sucesso levado a cabo pela junta de freguesia em parceria com a Associação Sociocultural de Quarteira (ASCQ). Dada a falta deste tipo de respostas sociais na cidade, o executivo considerou «essencial a criação de um espaço que proporcione e dinamize regularmente atividades de cariz social, cultural, educacional e de convívio, preferencialmente, com e para cidadãos acima dos 50 anos, num contexto de formação ao longo da vida».
O objetivo é «criar uma instituição que contribua para a resolução de certas lacunas», nomeadamente, o combate ao «isolamento, solidão e à deficiente qualidade de vida». Assim, a «Academia do Saber» pretende «proporcionar uma fácil acessibilidade ao conhecimento e troca de experiências. E potenciar a vontade de viver, conseguida através do contacto com outras pessoas, troca de experiências, motivações e afetos».
Existem 11 diferentes tipos de aulas, ou «módulos». Variam entre História Local, Costura, ou Yoga do Riso, e a sua frequência é gratuita. As aulas mais procuradas são «o Inglês e a Introdução à Informática. Existe uma lista de espera quase com 30 pessoas, situação que prevemos resolver o mais breve possível», sublinha Pinto. O único custo prende-se com a obrigatoriedade de um seguro de acidentes pessoais no valor de sete euros por ano letivo. Também os professores trabalham em regime de voluntariado e partilha.
Na verdade, a «Academia do Saber» tem tido aceitação não só por parte de adultos com mais de 50 anos, a quem é dada prioridade, mas também pela juventude. «Por exemplo, no módulo de Costura temos um aluno com menos de 30 anos», evidencia.
Dado o êxito deste projeto, «a Junta de Freguesia continua a procurar novas parcerias e colaborações com mais formadores e alunos». Nesse sentido, já foi formalizado o pedido à Câmara Municipal de Loulé para mudar para novas instalações, mais espaçosas. A mudança deverá acontecer dentro de «dois meses». Até lá, o número de módulos leccionados e alunos inscritos deverá continuar a aumentar, até porque, «Quarteira tem 22 mil habitantes e cerca de 3000 tem mais de 60 anos».
O módulo da História Local é um dos mais concorridos. A aula conta com 30 alunos e tem a duração de 60 minutos. É lecionada por João Carlos Santos, 28 anos, licenciado em Património Cultural, ramo de História pela Universidade do Algarve, que faz um enquadramento geral do legado de cada um dos povos que passaram ao longo dos séculos por Quarteira. Os alunos «são muito participativos e interessados, não têm receio em colocar perguntas. Há uma dinâmica de partilha muito grande e uma enorme vontade em querer aprender e saber mais», explica Santos. A última aula decorreu no museu Cerro da Vila, no âmbito do módulo sobre a História e a Presença Romana em Quarteira. «Na próxima aula abordarei o tema das ruínas da vila de Loulé velho e das ruínas submersas a 700 metros de profundidades encontradas em frente a Quarteira».