O Banco de Portugal reviu hoje em alta a previsão de inflação para 2026, apontando a guerra no Irão e o preço do petróleo como fatores decisivos.
O Banco de Portugal (BdP) reviu em alta a previsão de inflação para 2026 e antecipa agora uma subida dos preços de 3,1%, apontando o impacto da guerra no Irão e a consequente valorização do petróleo como principal fator de pressão.
A estimativa consta do mais recente Boletim Económico da instituição, divulgado hoje, e supera a previsão de 2,5% apresentada pelo Governo nas projeções enviadas à Comissão Europeia em abril.
Segundo o BdP, o agravamento da inflação resulta sobretudo do aumento do preço do petróleo associado ao conflito no Médio Oriente, que afetou uma parte significativa do abastecimento mundial de matérias-primas energéticas.
Na apresentação do documento, em Lisboa, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, defendeu a decisão recente do Banco Central Europeu (BCE) de aumentar as taxas de juro.
O responsável considerou que a medida pretendeu evitar uma espiral inflacionista num contexto marcado pela subida dos preços da energia, dos fertilizantes e de outros bens e serviços.
Quanto ao impacto económico do conflito entre o Irão e Israel, Álvaro Santos Pereira salientou que a evolução dependerá da duração da guerra e das consequências para os mercados energéticos.
O governador considerou positiva a perspectiva de assinatura de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão, mediado pelo Paquistão, que permitirá desbloquear o estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás.
Ainda assim, alertou que a normalização do abastecimento energético não será imediata.
Segundo Álvaro Santos Pereira, mesmo que o estreito de Ormuz reabra de imediato, serão necessários vários meses para que as operações regressem à normalidade, devido aos danos sofridos por infraestruturas petrolíferas e de gás e ao tempo necessário para recuperar a capacidade produtiva.