Catarina Martins critica a distinção da The Economist e acusa o governo de deslumbramento, dizendo que não há sucesso económico quando salários e pensões não chegam.
A candidata presidencial Catarina Martins considerou hoje que «não há nenhum sucesso» numa economia quando «quem trabalha não consegue pagar a casa, a farmácia e o supermercado», acusando o governo de estar deslumbrado com a distinção da revista The Economist.
«A política tem que ser sobre a vida séria das pessoas e o que é preciso dizer é que não há nenhum sucesso na Economia quando quem trabalha não consegue pagar a casa, a conta da farmácia ou a fatura do supermercado», afirmou a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, a discursar na apresentação de António Pinho Vargas como o seu mandatário nacional nas eleições presidenciais de janeiro.
A revista britânica The Economist considerou que Portugal é a «economia do ano» em 2025, destronando a Espanha, que tinha ganhado no ano passado, e caiu para a quarta posição.
«É preciso ver porque é que acharam que Portugal era economia do ano. Há alguns argumentos que eu acho que são insólitos. Um dos argumentos é o mercado de ações [que] está em alta. Eu tenho a certeza neste país que pensou que se o mercado de ações está em alta, então isto vai de vento em poupa», apontou.
E continuou: «O outro argumento é que há muitos estrangeiros ricos que estão a gostar de se mudar para Portugal porque cá pagam poucos impostos. E as pessoas pensam que se os estrangeiros ricos estão felizes, então isto vai de vento em poupa», explanou.
Para a ex-coordenadora do BE «o que é preciso dizer é que a qualidade da Economia mede-se na qualidade dos salários, das pensões, na qualidade dos serviços públicos e mede-se na qualidade do emprego».
Catarina Martins deixou ainda uma crítica ao governo de Luís Montenegro: «Quando temos um governo que fica deslumbrado com o sucesso da economia do ano para o estrangeiro rico que paga poucos impostos ou para o mercado das ações que está em alta, é mesmo o momento em que precisamos de uma Presidente da República que diga que o sucesso da economia só se mede se quem ganha o seu salário, se quem ganha a sua pensão, conseguir pagar a casa, a farmácia e o supermercado», afirmou.
A também eurodeputada lembrou a greve geral marcada para quinta-feira e uma segunda greve da Função Pública, na sexta-feira: «uma greve geral é uma coisa muito séria, que não há desde 2013. Não é algo que as centrais sindicais marquem de ânimo leve e muito menos que trabalhadores façam de ânimo leve”.
Sobre a campanha eleitoral em curso, Catarina Martins deixou críticas aos adversários e uma sugestão: «Há o campeonato de ver quem é o mais moderado, de quem diz maior alarvidade para chamar a atenção, eu proponho uma outra fórmula: façamos desta campanha uma luta por um país decente», disse.
Quanto ao seu mandatário, a candidata a Belém salientou a relação de amizade que une os dois com António Pinho Vargas a explicar o porquê de ter aceite o convite de ser mandatário de Catarina Martins: «Eu aceitei o convite porque há momentos em que temos que sair do comodismo do sofá» disse.
Para o músico, que realçou que para si seria «mais fácil» estar a tocar piano, Catarina Marftins «tem a grande vantagem de não ter receio de defender ideias de esquerda» e trouxe temas únicos para o debate político: «Foi a primeira vez que ouvi em qualquer eleição, em qualquer debate presidencial, autárquico ou legislativo, alguém falar da arte e da cultura, ainda por cima com André ventura»; disse, lembrando o debate entre Catarina Martins e o candidato apoiado pelo Chega.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Além de Catarina Martins, às eleições presidenciais anunciaram, entre outros, as suas candidaturas André Ventura (com o apoio do Chega, Cotrim Figueiredo (com o apoio da IL), António José Seguro (apoiado pelo PS), António Filipe (apoiada pelo PCP), Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Luís Marques Mendes (com o apoio do PSD) e Henrique Gouveia e Melo.
Governo satisfeito justifica a distinção
Portugal foi distinguido pela revista britânica The Economist como «Economia do Ano» em 2025, liderando o ranking anual que avalia o desempenho económico dos 36 países mais ricos do mundo.
E segundo o governo, a escolha resulta da análise de cinco indicadores — inflação, desvio da inflação, Produto Interno Bruto (PIB), emprego e desempenho da bolsa — nos quais Portugal se destacou ao combinar crescimento económico, inflação controlada e um mercado acionista em alta.
Segundo a publicação, «em 2025, Portugal conseguiu combinar um forte crescimento do PIB, baixa inflação e um mercado de ações em alta». A The Economist aponta ainda o dinamismo do turismo e a crescente atração de residentes estrangeiros, num contexto de competitividade fiscal, como fatores relevantes para o desempenho económico.
No ranking deste ano, Portugal sucede a Espanha, vencedora em 2024, que desce para o quarto lugar. Irlanda e Israel ocupam a segunda e terceira posições, respetivamente. Estónia, Finlândia e Eslováquia surgem entre as economias com pior desempenho nos indicadores analisados.
Numa publicação na rede social X, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que a distinção representa «uma justa aclamação do mérito e do trabalho dos portugueses» e reforça «a motivação do Governo em seguir o rumo que nos trouxe até aqui nos últimos meses».
Luís Montenegro acrescentou que «é a reformar com coragem e a tornar o país mais competitivo e produtivo que vamos continuar a criar emprego, a aumentar os salários e a reforçar o Estado social».
As previsões do Governo apontam para um crescimento da economia portuguesa de 2% em 2025 e 2,3% em 2026.