Rui Cristina, eleito pelo Chega nas autárquicas de 12 de outubro, anunciou hoje uma auditoria financeira e procedimental às contas da Câmara Municipal de Albufeira.
O novo presidente da Câmara Municipal de Albufeira anunciou esta manhã que irá fazer uma «radiografia» ao município antes de avançar com as medidas prioritárias para o mandato, como a habitação acessível, a saúde em parceria com o terceiro sector e o reforço da segurança e da limpeza urbana, no plano imediato.
Rui Cristina, que começou o primeiro dia na autarquia com um encontro com a imprensa, explicou que «é apenas para sabermos em que ponto é que vamos começar a delinear a nossa estratégia e implementar o nosso trabalho».
«Quem chega a um município como este — com mais de 150 milhões de euros de orçamento, bastante complexo e um dos mais importantes e financeiramente sólidos do Algarve — tem de saber em que estado se encontra. Sabemos que há várias lacunas: é preciso apostar na habitação, no acesso à saúde, na mobilidade, resolver alguns pontos de insegurança. Para que isso aconteça tem de haver disponibilidade financeira e é necessário sabermos em que estado estão as coisas», explicou.
«Acho que todos os presidentes de Câmara, quando são eleitos pela primeira vez, deviam fazer isso como questão de transparência, para começar do zero e sabermos com o que podemos contar. E é uma questão de literacia, perceber o que podemos melhorar ao nível dos procedimentos», acrescentou.
Depois de avaliar a disponibilidade do município, o recém-eleito autarca quer começar a resolver um dos principais problemas do concelho.
«Queremos construir habitações a custos acessíveis. Mas, para isso, é preciso haver terrenos. Sabemos que o Plano Diretor Municipal (PDM) está desatualizado e em reavaliação desde 2016, e temos de acelerar esse processo o quanto antes. Sabemos também que isso não depende apenas da Câmara — há outras entidades envolvidas — mas o ex-presidente José Carlos Rolo disse que existiam várias bolsas de terreno preparadas para construir. Se realmente estiverem prontas para receber este tipo de construção, iremos avançar o quanto antes, se houver capital para isso, o que acredito que sim. Mas só nos próximos dias é que saberemos», afirmou aos jornalistas.
O presidente quer reservar parte das novas habitações para casas de função destinadas a médicos, profissionais de saúde, professores e militares da GNR, «tão necessária neste concelho, que teve 7,5 milhões de dormidas no ano passado. Cabe-nos, enquanto município, alinhar estratégias internas para atrair estes profissionais diferenciados». Além disso, o objetivo é travar a saída de jovens para fora do concelho.
Na saúde, onde reconhece que a autarquia não tem competências plenas, o edil propõe um modelo em parceria com o terceiro sector para responder aos «18 mil albufeirenses sem médico de família».
O autarca pondera criar um programa «Bata Branca», com a contratação de médicos, entre o município e uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) parceira, como a Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, ao exemplo de outras iniciativas que conheceu quando foi coordenador da Comissão de Saúde.
«Faz mais quem quer do que quem pode. Vamos avançar nesse sentido. Terá de haver uma conversa com a União das Misericórdias para que consigamos atingir o objetivo de, no primeiro ano desta estratégia, realizar mais de 12 mil consultas, a quem hoje não tem médico de família. É algo fazível», garantiu.
O reforço da segurança pública e a limpeza urbana também entram no pacote de medidas de curto prazo. «Tenho notado que o mobiliário urbano está degradado», referiu o presidente, que quer desde já lançar pequenas intervenções de manutenção e facelifts no espaço público.
Questionado sobre o que pretende fazer para melhorar a segurança, sobretudo no que diz respeito à vida noturna, o autarca considera que «como está, a Rua da Oura e a Baixa não podem continuar. É preciso uma requalificação urbana».
No entanto, disse, «se o município investir milhões, os empresários também têm de dar algo em troca. Não podemos prejudicar a população por causa de uma minoria. Tem de haver equilíbrio. Vou reunir com os empresários e com representantes dos moradores para chegar a um consenso. Somos o segundo concelho mais turístico do país e quero um turismo com mais qualidade — e com menos episódios de violência».
«Gostava de atrair de novo turismo mais familiar — sem diminuir o fluxo turístico, apenas tornando-o mais diversificado e florescente para a economia local», acrescentou. Para isso, planeia aumentar o efetivo da Polícia Municipal e também a rede de videovigilância, além de criar «melhores condições para quem cá vive», como ciclovias e espaços verdes.
No plano político, o presidente reconhece que «não vai ser um trabalho fácil. As pessoas têm grandes expectativas — eu também. Mas não tenho uma varinha de condão. Tentarei fazer tudo da forma mais correta e factual possível. Sabemos que os problemas não se resolvem de um dia para o outro. Vai ser uma corrida contra o tempo».
Albufeira vai ser Cidade Europeia do Desporto 2026 e o novo autarca promete avaliar o programa herdado: «Vou reunir com os responsáveis e ver se está adequado à nossa visão».
Em matéria de proteção civil, o presidente sinalizou a intenção de municipalizar os bombeiros, mantendo «uma componente de voluntariado», por considerar que esse modelo «traz melhores condições e mais profissionalismo».
O ex-deputado assume-se com um louletano com grande proximidade a Albufeira. «Moro a 15 minutos, quase na periferia. Passei aqui grande parte da minha juventude, tenho muitas pessoas conhecidas e amigas. Albufeira acaba por ser a minha segunda casa, e que agora passa a ser a primeira».
O novo executivo tomou posse na véspera, após a vitória do Chega em Albufeira nas autárquicas de 12 de outubro, com 40,51% dos votos e três vereadores, num quadro sem maioria absoluta na vereação.
A vitória de Rui Cristina em Albufeira marca a entrada do Chega no poder autárquico do distrito de Faro, depois de o partido ter ganho as legislativas de 2024 e de 2025, no Algarve.
O Chega conquistou três dos sete eleitos, os mesmos que o PSD/CDS-PP, que geria o município há várias décadas, enquanto a coligação PS-BE-PAN «Albufeira é Tua» ficou em terceiro lugar.