A Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores chamou hoje a atenção para os banhistas que se têm deslocado às praias nos últimos dias, uma vez que há muitas delas que ainda se encontram sem qualquer assistência.
O estado do mar ainda está «alterado» e representa um risco para os banhistas que se deslocam às praias, apesar da melhoria das condições climatéricas, alertou hoje a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FPNS).
«O bom tempo que se faz sentir por todo o país, aliado às férias da Páscoa, levou milhares de pessoas às praias portuguesas nos últimos dias. Infelizmente, a maioria destas praias encontra-se ainda sem qualquer tipo de assistência a banhistas, numa altura em que o mar se apresenta alterado e perigoso», avisa a FPNS.
Na nota, a FPNS indica que os últimos dias foram feitos «dezenas de salvamentos» nas praias portuguesas, realizados por populares ou nadadores-salvadores, «mas infelizmente uma vida perdeu-se».
«A Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores, através do seu Observatório do Afogamento, alerta para o elevado risco de afogamento atualmente registado em Portugal», lê-se na nota.
Entre os fatores que agravam este risco, a FNPS destaca a «ausência generalizada de nadadores-salvadores nesta época do ano», o mar alterado, «com correntes e agitação pouco visíveis para os leigos», além de uma «fraca cultura de segurança aquática da população», que não reconhece os perigos, «nem adota comportamentos de análise e prevenção de risco».
A Federação aponta dados do Observatório do Afogamento, que mostram que abril de 2024 foi «o mais mortal desde que há registo, com 26 mortes por afogamento, representando 26,8 por cento de todas as mortes por afogamento do ano» em Portugal.
«Este número é quase o dobro do registado no mesmo mês em 2023 (16 mortes) e muito superior à média dos anos anteriores», assinala.
A FPNS salienta ainda que há uma tendência crescente de mortes por afogamento em abril e em maio, mês em que houve nove afogamentos em 2024 e seis em 2023.
Em 2022, foram registados 28 afogamentos nestes dois meses (14 em abril e 14 em maio), em 2021 houve sete (três e quatro, respetivamente), em 2020 morreram 24 pessoas (oito e 16), em 2019 foram 14 as vítimas (sete e sete), em 2018 perderam a vida 23 banhistas (16 e sete) e em 2017 verificaram-se 17 afogamentos (sete e 10), quantifica a Federação.
«É urgente reforçar a sensibilização da população para os riscos existentes e acelerar o planeamento da assistência balnear», defende a FPNS, recomendando aos banhistas que evitem zonas não vigiadas ou com mar agitado, optem por locais vigiados ou com acesso facilitado a socorro.
Foto: FNPS.