O conceito não é novo no país, e já era tempo de o Algarve ter um Congresso Gastronómico, aberto ao sector da hotelaria e restauração, mas também à comunidade, segundo diz ao «barlavento» Maria Nobre de Carvalho, 35 anos, organizadora do novo evento, empresária, formada em Marketing e Publicidade na Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa, e Relações Públicas do Share Algarve.
Há dois anos que está a pensar neste projeto, sendo que em 2018 decidiu avançar com os preparativos para a primeira edição do TRAVIA, que terá lugar na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (EHTA), em Faro, entre 9 e 11 de abril.
A ideia começou a maturar com base numa constatação. «Não é fácil encontrar restaurantes, de gama média, com uma identidade algarvia bem definida. Há muito a tendência de fugir para o que o turista quer. Ou seja, apresentar no menu cataplana e peixe grelhado, e ao mesmo tempo, omelete e pizza». Isso explica porque motivo «o Algarve é das regiões gastronómicas mais subvalorizadas do país, mesmo sendo a que possui mais estrelas Michelin». Portanto, um dos grandes objetivos é «tentar fazer com que as pessoas do sector comecem a prestar atenção à nossa cozinha» regional. Além disso, há problemas que urge discutir, como a falta de pessoal qualificado para a restauração e similares.
Manuel Serra, formador da EHTA e um dos autores dos textos da obra «Vinhos do Algarve – fruto do sol e da terra», editada pela Região de Turismo do Algarve e apresentada durante a última Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), corrobora a necessidade de diálogo. «A falta de pessoal qualificado continuará a ser um problema crónico enquanto existir sazonalidade, porque as pessoas não se conseguem fixar no Algarve por apenas alguns meses», considera.

Maria Nobre de Carvalho acrescenta que esse será um dos temas mais esperados, na medida em que todas as pessoas com quem contactou «disseram que é uma questão que tem mesmo de ser
abordada». Ainda em relação ao Congresso, o professor considera que é um formato «inovador para a região, embora já exista em Lisboa, Porto e Coimbra». Além disso, o timming também ajuda, pois «os profissionais começam agora a organizar a suas equipas para a época alta que se avizinha».
Questionada sobre o nome do evento, a empreendedora explicita o significado. «Em primeiro lugar, TRAVIA significa rumo e direção. Em dialeto algarvio refere-se à comida que se dá
aos porcos». Com esta linha de pensamento num registo crítico e até quase polémico, a responsável pela iniciativa quis usar a ironia. Enquanto a restauração não tiver uma estratégia comum, o destino Algarve «arrisca-se, a médio e a longo prazo, a servir apenas travia a quem o visita. Temos de saber quem somos, qual o nosso rumo, e o que queremos para a gastronomia da região. Só assim poderemos servir bem tanto os de cá, como os que por cá passam», conclui.
Os bilhetes para o evento já se encontram à venda. Os preços variam entre os 25 e os 100 euros, sendo que os estudantes têm desconto. «Esperamos ter casa cheia, ou seja, 300 pessoas ao longo do dia e 150 ao jantar. Tenho a certeza que retiraremos conclusões muito interessantes», conclui.
Programa com a melhor prata da casa
Além de palestras, o programa do primeiro Congresso Gastronómico do Algarve conta com showcookings e degustações por parte de alguns dos melhores chefs da região. O evento culmina no sábado, dia 11 de abril, com um jantar de gala, nos claustros da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, em Faro. Para já, está confirmada a presença de Bruno Viegas (Anantara Vilamoura Algarve Resort), Diogo Pereira (Cascade Wellness & Lifestyle Resort, Lagos), Filipe Rodrigues (Taberna do Mar, Portimão), José Moura (Tivoli Lagos), Louis Anjos (Bon Bon Restaurante, Carvoeiro) e Raquel Marques (O Rafaiol, Carvoeiro).