Há quem tenha medo de efetuar queimas, há quem procure uma solução mais fácil e, por isso, muitos resíduos orgânicos, verdes e secos, resultantes dos jardins e outros terrenos privados acabam por ser depositados nos contentores de lixo indiferenciado do concelho de Monchique, após a limpeza obrigatória até 31 de maio.
Ao verificar que esta passou a ser uma solução de recurso para muitos residentes, Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique, desafiou a ALGAR, a empresa responsável pela valorização e tratamento dos resíduos sólidos urbanos produzidos nos 16 municípios algarvios, a criar um novo centro de compostagem naquele concelho serrano, associado a verdadeiros ecopontos destinados a resíduos florestais, que resultam dessa limpeza de propriedades privadas.
Numa reunião que teve lugar, na sexta-feira, 16 de março, o autarca defendeu junto da empresa, a implementação de ecopontos para estes resíduos, de forma a serem aproveitados e transformados em composto (adubo orgânico), que poderá ser utilizado em substituição de outro tipo de fertilizante, como os adubos químicos.
«As pessoas não querem queimar. Têm medo. A proposta que apresentei à ALGAR é muito inovadora nesse aspeto, além de pressupor uma mudança de atitude da população para com os resíduos produzidos», começou por explicar ao «barlavento» Rui André.
As autarquias já recolhem os verdes, noutros moldes, e entregam-nos àquela empresa algarvia para processamento e transformação nos respetivos aterros, pagando esse serviço. «Mas neste caso, a solução será diferente, porque teremos uma rede de ecopontos destinada a este fim. Sugeri fazer em Monchique uma central de compostagem, para que, desses resíduos seja feito composto, uma vez que a ALGAR já tem uma vasta experiência nesta matéria. A ideia é que seja feita uma parceria entre a empresa e a Câmara Municipal para facilitar a entrega e a recolha do que resta da limpeza dos terrenos privados e também da floresta, um tema já muito abordado, mas até agora sem solução prática», argumentou.
Na verdade, a ALGAR já conta com três infraestruturas na região para este fim, sendo rentáveis, de acordo com o autarca, porque o produto, no final do ciclo, é vendido a granel ou embalado. «A ALGAR até tem um composto premium» de elevadíssima qualidade e com muita procura, destacou.
Rui André sublinha que a autarquia tem «interesse» em criar um destino apropriado e mais ecológico para aqueles resíduos, cuja abundância está a entupir os contentores e a dificultar a recolha normal dos indiferenciados. «Este é um outro tipo de resíduo, que deve merecer um destino diferente, constituindo até um aproveitamento para fins ecológicos», justificou.
Esta será também, na opinião do presidente da Câmara, uma forma de ajudar os residentes ou proprietários do concelho, pois há, nalguns locais, dificuldades em realizar queimas seguras, como é o caso de algumas encostas e zonas muito ventosas, exemplificou.
Por sua vez, a transformação em composto, permitirá «rentabilizar estes resíduos, que, sendo perigosos, não deverão ficar depositados nos locais de origem, nem na floresta», alertou.
Com o tempo e consoante o sucesso do projeto, será possível também, segundo o edil, pensar numa forma de compensar a entrega voluntária destes resíduos na central e estimular a adoção desta prática nos locais de origem pelos próprios proprietários, atitude que pretende construir também em contexto escolar.