«Ninhos de ratos, animais mortos, uma perna de cegonha, excrementos de animais e fios elétricos roídos». Esta é a lista de «achados» encontrados na sequência de uma operação de limpeza ao sistema de ar condicionado no edifício da Direção de Finanças de Faro, segundo denunciou o Grupo Parlamentar do PCP, na segunda-feira, 1 de agosto.
O deputado Paulo Sá, eleito pelo Algarve, visitou a Direção de Finanças de Faro acompanhado por elementos da Direção Distrital de Faro do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, na sexta-feira, 29 de julho, e constatou que «as instalações não oferecem condições dignas de trabalho, nem de atendimento ao público».
O imóvel antigo, «apesar de obras pontuais, está degradado e, por causa das má conservação do telhado, tem infiltrações, chove nalgumas divisões, há manchas de humidade, cheiro intenso a mofo, tendo havido já tetos falsos que caíram», enumerou o deputado.
Em fevereiro, a limpeza do ar condicionado colocou a descoberto «ninhos de ratos, animais mortos e fios elétricos roídos. O cheiro nauseabundo na sala levou a que os funcionários que ali trabalhavam usassem máscaras cirúrgicas e, num momento posterior, fossem distribuídos por outras salas», explicou deputado comunista.
Também a madeira de portas e janelas não veda, as divisões não têm luz natural, nem ventilação adequada. «A instalação elétrica é antiga, há cabos e extensões no chão e nas paredes sem adequada proteção, e há uns meses o quadro elétrico ardeu», continua Paulo Sá.
Em algumas divisões, devido à localização dos aparelhos de ar condicionado, há «intensas correntes de ar frio, levando a que os funcionários tenham pendurado no teto e nas paredes estruturas em papelão, muito criativas, para desviar essas correntes de ar frio», relatou.
Não bastava o edifício contar com a degradação, ainda é exíguo, sendo insuficiente para os 162 trabalhadores. Segundo a nota do Grupo Parlamentar do PCP, «numa das salas dos inspetores tributários chegam a trabalhar, em simultâneo, 35 pessoas».
E não havendo secretárias suficientes, os funcionários contaram ao deputado que quem chega primeiro ganha o lugar sentado. Ficando as secretárias lotadas, os inspetores têm duas alternativas, ou vão trabalhar para um serviço de finanças ou vão para casa. Apesar de lidarem com documentos complexos, «os computadores portáteis disponibilizados aos inspetores têm o ecrã muito pequeno, a fim de criarem melhores condições de trabalho, vários compraram», a cargo próprio, «ecrãs fixos maiores».
Face ao rol de queixas e à descrição das condições do imóvel, o Grupo Parlamentar do PCP apenas questionou o ministro das Finanças Mário Centeno sobre a necessidade de dotar a Direção de Finanças de Faro com novas instalações.