O conceito Dano Cerebral Adquirido remete para toda a lesão cerebral permanente, respeitante a uma ou mais das estruturas encefálicas – hemisférios cerebrais, cerebelo, tronco cerebral, gânglios da base, entre outras – que surge após lesão ou trauma. A manifestação das suas complicações é muito variável, dada a grande especificidade que estas estruturas apresentam em termos funcionais.
A recuperação também depende de múltiplos fatores contextuais – ambientais e pessoais – cuja interferência se vai manifestar no resultado final. A intervenção de equipas interdisciplinares e a intensidade dos programas ou dos tratamentos de reabilitação são um dos fatores que de forma transversal agem no potencial e no processo de recuperação destes doentes.
O Dano Cerebral Adquirido (DCA) engloba todas as sequelas que surgem após lesão cerebral, sendo que a maioria destas lesões e consequentemente as suas sequelas, correspondem aos acidentes vasculares cerebrais (habitualmente designados por AVC’s, tromboses ou hemorragias cerebrais) e aos traumatismos cranio-encefálicos (TCE), excluindo por isso as doenças hereditárias, congénitas, degenerativas ou traumas de parto.
Os DCAs causam deficiências nas funções fisiológicas, incluindo as funções do movimento, comunicação, deglutição, visuais, intestinais, urinárias e mentais, limitações nas atividades e restrições na participação social, cuja manifestação vai depender de vários fatores como o tipo, a localização e a extensão da lesão.
Devido à complicações serem muito variáveis, mas igualmente extensas e profundas, as equipas interdisciplinares e a comunidade científica discutem permanentemente as técnicas, os programas e parâmetros que poderão ser mais eficazes na reabilitação neurológica. A intensidade das sessões é um dos fatores que mais tem merecido investigação. Não é avaliada quanto à «carga» ou à «força», como o termo poderia sugerir, mas sim relativamente ao tempo por sessão e/ou em termos de repetição/treino das tarefas. Sessões mais longas têm provado oferecer melhores resultados, existindo já o consenso que o tempo mínimo de cada sessão deve ser 45 minutos por dia, mas devendo prolongar-se durante o tempo que o indivíduo conseguir tolerar. No caso do AVC, por exemplo, a Direção Geral de Saúde já definiu que a reabilitação intensiva corresponde a um período diário de terapia, superior a três horas.
A repetição de tarefas ou de exercício é outro princípio importante, cuja fundamentação fisiológica se baseia na teoria de aprendizagem de Hebbian; as conexões entre os neurónios são reforçadas promovendo deste modo o aumento da plasticidade sináptica (a forma como estas células melhor comunicam entre si).
A evidência disponível conclui ainda que a intensidade do exercício produz resultados benéficos ao nível da função motora dos membros, do equilíbrio, bem como da força dos membros inferiores, implicando assim melhores resultados no desempenho das atividades básicas da vida diária, com destaque para a marcha. É sugerido que este fator tem também uma implicação positiva na comunicação, deglutição, no controlo dos esfíncteres, funções cognitivas e humorais, incluindo a depressão e a ansiedade.
O Grupo HPA Saúde possui um corpo multiprofissional a operar na área da reabilitação neurológica com a adoção de programas intensivos e interdisciplinares. Na primeira consulta e após uma avaliação intensiva das deficiências, das limitações e restrições do individuo, é proposto um plano de terapia intensiva que pode atingir ate seis horas por dia, cinco dias por semana, durante oito semanas.
Os resultados e a satisfação global dos utentes e das suas famílias têm sido muito positivos, da mesma forma que a motivação e a dedicação da equipa, que diariamente investiga e analisa inovações tecnológicas e terapêuticas capazes de oferecer mais qualidade de vida, autonomia e independência aos doentes com DCA.
Espaço Saúde do Hospital Particular do Algarve