Mais de quatro meses depois do fatídico dia em que os negócios rumavam em desempenho nas condições existentes, com o sol de março entrado, um mês de preparação para faturar, depois da escura noite da sazonalidade imposta, construída de forma política, todos os prejuízos da intempérie de 1 de novembro de 2015 continuam às costas dos comerciantes e privados que foram atropelados pela incúria do executivo atual e dos anteriores, os decisores da ocupação do espaço físico de uma ribeira com histórico de desgraça.
Cumprida a caramunha dos factos na imprensa, em primeira análise com as culpas atribuídas ao divino, a dimensão dos mesmos, o número exponencial de vitimados e as múltiplas críticas sobre a má gestão do território fez mudar o diapasão oficial que também passou a chorar ao nosso lado, bem como começou o corridinho dos partidos parlamentares em solidariedades de efeitos zero, experimentados nestas andanças do mal acontecer em casas alheias, com um pico numa reunião a quente de deputados eleitos do PS ainda em aspiração de governo, elucidadores da má fé ministerial e das medidas úteis ao financiamento da recuperação do espaço público, e o auge numa visita da Comissão Parlamentar de Ambiente, já com o novo governo de Costa em funções, o tal de apoio tripartido parlamentar, que dando razão aos vitimados…. falamos de razão democrática e pecuniária… ficou nas palavras…
Entre conversas de aquecer as orelhas, ficámos a saber que o tal Fundo acionado, chamado de Emergência (?!), tinha zero euros com o Governo PSD/CDS e se manteve em igual circunstância no novo Governo de apoio tripartido. Porque não havia nada de positivo para constar, o executivo camarário telefonava para Lisboa e a telefonista dizia que não tinha recados. Conclusão: o mexilhão que se lixe! O mesmo se passou com as cheias de Setembro de 2008, cuja indiferença oficial não saiu da memória. As seguintes… continuam na vontade dos deuses…
As más línguas, acusação da boca do presidente do executivo camarário, que afinal são os lesados, têm de procurar ressarcimentos pelos seus próprios meios num quadro de crise económica, de uma sazonalidade cada vez mais endémica, num cenário de agravadas exigências bancárias e numa situação de agravamento da relação deve e haver pelo fecho compulsivo dos negócios ou o seu funcionamento em condições insuficientes de apresentação e oferta.
Os cofres do Estado, sustentados em cobranças coercivas, verdadeiras montagens da dita democracia, afinal não servem para socorrer aqueles que por razões alheias perdem a sua autonomia económica e até a dignidade. A chuva intensa não é criminosa e muito menos constipação divina com advogados terrenos. O crime é fazer dela o bode expiatório da incompetência de quem se faz eleger e ilude as responsabilidades.
Como esperado, a recente comunicação governamental saída em Diário da República de que vai haver apenas uma linha de crédito de critérios apertados que não contemplam a realidade sócio-financeira do tecido empresarial afetado, afinal contrair uma dívida com juros para quem já vive em múltiplas dificuldades, não pode ser considerada uma medida justa e séria. Comerciantes e privados não decidiram a má gestão dos solos. E responder oficialmente em março, mostra bem que o governo não percebe a realidade do Algarve… o que não foge às linhas políticas anteriores. O presidente da Câmara pode dormir descansado… a mão amiga do Governo PS e apoios parlamentares veio…
Opinião de Luís Alexandre | presidente da ACOSAL