Para já, é apenas é um veiculo engraçado a passear pelas zonas ribeirinhas de Portimão. Mas a partir de abril, quando estiver concluído o processo de licenciamento junto da autarquia, poderá encontrá-lo num sítio fixo. Segundo Pedro Franco, um dos dois sócios da loja/ mercearia gourmet/ petisqueira «Maria do Mar», na baixa da cidade, será um ponto de venda de comida de rua.
A ideia é que esta PIAGGIO APE, especialmente convertida para este efeito, possa participar na próxima «Rota do Petisco», com o hambúrguer de cavala servido em pão de baguete. Confrontado com a má memória que o festival de street food deixou em Portimão, no ano passado, Franco não teme a má reputação. «Será tudo feito segundo todas as normas de segurança alimentar e higiene. E como se trata de conservas de peixe português, não há qualquer risco», garantiu ao «barlavento».
A «Maria do Mar», na Rua Direita, é um caso de sucesso que já soma quatro anos. O conceito inspira-se no famoso programa de viagens «No Reservations» do chef e escritor nova-iorquino Anthony Bourdain. Na sua passagem por Lisboa à descoberta dos prazeres gastronómicos da capital portuguesa, Bourdain filmou uma cena à mesa de casa de conservas de peixe, no Cais do Sodré. A ideia fazia sentido sobretudo pela história quer de Portimão, quer do próprio Algarve, onde a indústria conserveira esteve enraizada.
O estabelecimento é simples. Lembra uma mercearia antiga, onde estão expostas as conservar em stock. É só escolher e pedir para preparar. E não é (só) para turistas. “Há aqui um certo mercado da saudade”, explica Pedro Estorninho. A loja está decorada com antiguidades, fotografias antigas a preto e branco, e embalagens originais de conservas que são autênticas relíquias de um passado industrial que marcou o passado o litoral português. A maioria das conservas aqui à venda não estão disponíveis nos hipermercados e na grande distribuição. São produtos de grande qualidade, na sua maioria, conservados em azeite.
Mas nem por isso são caras. A mais barata lata que vimos custa €1,20 e as mais caras chegam aos €19,50 (uma especialidade de ovas de sardinha).
As conservas vêm de todo o país (incluindo Açores). Muitas são buscar o design ao passado em trabalhos de design que dá pena abrir. Um exemplo? O «Atum Catraio». É produzido desde 1912 e mais de um século depois, ainda mantém os mesmos métodos tradicionais de fabrico e embalagem de papel. E como funciona a degustação? É simples. Ao preço de cada lata, acresce o custo da preparação da conserva (prepare-se para uma boa surpresa), que chega à mesa servida com um pão aromatizado com aromas de alho e azeite, tomate, manjericão, vinagre balsâmico e coentro ou salsa em rama (mais aromático).
Uma escolha popular é a conserva de bacalhau «à Naval», das conservas Nero, em azeite e alho, já lascado, limpo de peles e espinhas. Mas há aqui todo um mar de sabores: sardinhas com picante, atum em ervas aromáticas, filetes de cavala, petingas, e Brama Rayi (nome científico), peixe branco muito saboroso assim chamado para evitar o seu nome popular – chaputa. E claro, não falta a muxama de atum. Entre as novidades há o atum «correta», pescado à mão nos Açores, conserva de Santa Catarina.