No ano em que o carnaval mais antigo do Algarve comemora o seu 110º aniversário, o objetivo fundamental «é atrair muitos visitantes nacionais e estrangeiros», segundo explicou o autarca Vítor Aleixo, no Museu do Carnaval de Loulé, localizado na Zona Industrial da cidade.
No total, serão 14 carros alegóricos e 700 figurantes a alegrar a Avenida José da Costa Mealha durante os três dias de festa carnavalesca. Os bilhetes têm um preço de 2 euros e a Câmara Municipal de Loulé prevê investir mais de 300 mil euros. «Um investimento entre cinco a sete por cento mais», revelou Vítor Aleixo.
Os criativos dos carros alegóricos inspiraram-se sobretudo nas figuras da atualidade política e do desporto, caricaturados em enormes cabeçudos. «Os novos e os velhos rostos picantes da política nacional», como Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, são este ano retratados na condição de «náufragos» em mares incertos e à deriva, com coletes salva-vidas.
Mas no corso carnavalesco haverá ainda lugar para Jerónimo de Sousa, Catarina Martins, Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém, Jorge Sampaio e Mário Soares, entre outros políticos. Já no panorama futebolístico serão retratados Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Jorge Jesus ou o selecionador Fernando Santos.
Mestre «Palhó», o mítico criativo coordenador de praticamente todas as figuras que compõem o corso, explica que aguarda os resultados das presidenciais para decidir como irá conceber o «navio da República». No entanto, garante que «não há nenhum carro igual aos dos anos anteriores» e que nesta edição receberam um reforço decorativo «com muito mais flores». Regra geral, construir um carro e finalizar os acabamentos pode demorar «cerca de uma semana». No total são dois a três meses de trabalho intensivo para conseguir preparar tudo a tempo do evento.
O desfile irá homenagear o louletano professor José Baptista, artista plástico que durante anos colaborou na organização deste Carnaval. Desenhador, ilustrador, designer gráfico, Baptista foi uma figura incontornável da vida artística do concelho. Finalmente, destaca-se a participação de seis escolas de samba e a autarquia irá disponibilizar uma vez mais o seu espólio de fatos e de adereços de Carnaval aos cidadãos, através do aluguer dos fatos que poderá ser feito na Loja de Carnaval, situada na Praça da República, em funcionamento a partir de 22 de janeiro.
Metade das receitas reverte a favor de Instituições de Solidariedade
«Cinquenta por cento das receitas revertem para as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho». Já em 1906, na primeira edição do Carnaval de Loulé, muitas receitas reverteram a favor do «Bodo aos pobres. Hoje, o espírito mantém-se», sublinhou o presidente da Câmara Municipal de Loulé.