A ideia deu nas vistas em meados de novembro passado, quando Milene Nobre, 29 anos, gravou um pequeno vídeo de apresentação do livro «Cozinhar é Divertido» no restaurante do Hotel Faro, curiosamente o mesmo local onde conversou com o «barlavento».
«Parece que todos os chefs adotaram uma história romântica, que aprenderam a cozinhar com os avós. Comigo não foi nada disso. O que aconteceu é que os meus pais eram imigrantes e isso fez com que, desde muito nova, tivesse de me desenrascar. A cozinha foi algo que comecei a gostar mais tarde, quando entrei na escola hoteleira e aprendi a fazer coisas diferentes», começa por contar.
A verdade é que esta jovem tem ganho vários prémios e concursos desde que terminou a sua formação em Cozinha e Pastelaria, na Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António, em 2010. A busca pelo conhecimento já a levou a vários países da Europa, mas é no Algarve que um dia quer montar o seu próprio restaurante.
O chef basco Martin Berasategui, detentor de sete estrelas Michelin e com quem já trabalhou, é uma das suas referências na profissão e na forma de estar na vida. «É uma pessoa muito simples e extremamente acessível. Aqui em Portugal, os chefs, por terem prémios, quase que é impossível chegar até eles. Não acho que tenha de ser assim, sobretudo somos humanos e não acho que deva haver essas discrepâncias. Porque senão, não há partilha».
Relativamente ao livro, a ideia é apresentar uma cozinha que não é exageradamente gourmet, mas descontraída e cheia de sabor. «Será uma homenagem aos pescadores. Se comemos o melhor peixe do mundo, a alguém o devemos». Terá 62 receitas desenvolvidas ao longo dos últimos quatro anos. Milene tem uma segunda cozinha em casa, que serve de estúdio. Um mundo à parte onde a bagunça criativa não atrapalha a ordem doméstica.
Outro aspeto inovador é que as fotografias e filmagens associadas à obra vão estar a cargo da Associação Livre de Fotógrafos do Algarve (ALFA), que será também a editora. «O livro não coincide, mas aproveita o novo plano de atividades em termos de formação e passeios fotográficos para 2016», explica o presidente Paulo Côrte-Real.
No conjunto, o livro será um roteiro pelas paisagens e pelos «produtos-bandeira do Algarve» como a batata-doce,
o percebe, o medronho, o sal tradicional, e até a salicórnia. «Por exemplo, iremos à comunidade de pescadores e mariscadores da Culatra filmar uma receita no local». Fuzeta, os mercados de Olhão e de Loulé são outros cenários escolhidos pela «tipicidade própria» e porque «ilustram a identidade e o património da região». Haverá ainda dois apontamentos internacionais, associados à Dieta Mediterrânica, em Marrocos e em Espanha.
Na verdade, «já houve um primeiro teste a que chamamos cooking sessions que ensinava a cozinhar e a aprender a fotografar em sítios invulgares, pouco habituais ou insólitos», diz Paulo Côrte-Real.
Foram palcos, o Quartel de Tavira, o Museu do Trajo, em São Brás de Alportel, e até a inacessível cozinha do seminário de Faro.
«A ALFA está a elaborar uma proposta para apresentar às entidades regionais e nacionais» de forma a apoiar a edição física do livro. Prevê-se uma tiragem de mil exemplares, a publicar em novembro próximo. A maior ou menor qualidade do trabalho final dependerá dos apoios angariados. Além da versão em papel, em português e inglês, será ainda lançado um e-book com os conteúdos audiovisuais.
ALFA com grande dinamismo no triénio 2016/18
Com uma equipa renovada, a Associação Livre de Fotógrafos do Algarve (ALFA) quer continuar a promover o gosto pela fotografia junto do grande público. Formações, workshops, passeios fotográficos, tertúlias, exposições, mais e melhores condições para os sócios, são algumas das metas para o triénio 2016 – 2018.
A atual direção de Paulo Côrte-Real quer também conduzir a ALFA à internacionalização, quer através do reforço de parcerias com instituições e associações congéneres, quer através de viagens fotográficas. Para junho, está em preparação uma saída de campo em Marrocos, ao encontro da cultura da região litoral de Tanger – Tetuan. A viagem inclui ainda um workshop de fotografia documental em Chefchouan e demonstrações gastronómicas da Dieta Mediterrânica, na companhia de Milene Nobre.
Mensalmente vão decorrer tertúlias abertas a toda a comunidade, às sextas-feiras na Galeria ARCO (sede da ALFA), na cidade velha de Faro, sempre às 21h15. A próxima decorre a 15 de janeiro, sob o tema «Demasiadas fotografias? A fotografia na era da globalização e da internet».
Um projeto para as escolas do Algarve
Segundo Paulo Côrte-Real, presidente da Associação Livre de Fotógrafos do Algarve (ALFA), o projeto «Cozinhar é divertido» tem ainda uma vertente pedagógica associada. Pretende chegar às escolas algarvias dos dois primeiros ciclos de ensino, envolvendo um universo de alunos entre os 6 aos 12 anos. Pequenos ateliers e workshops terão por objetivo melhorar os hábitos alimentares das crianças e das suas famílias, envolvendo toda a comunidade educativa, já no próximo ano letivo 2016/17.
Palmarés de sucessos
Milene Nobre trabalhou no Vila Joya (Albufeira), Martin Berasategui (País Basco), El BULLI (Barcelona), Albert Premier (Chamonix- França), Hapimag Resort Albufeira, entre outros. Atualmente é formadora no IEFP do Algarve e dá consultadoria na área da cozinha. Foi distinguida nos seguintes concurosos:
• 1º lugar a nível nacional no concurso NOVOS TALENTOS DA GASTRONOMIA promovido pela Coca-cola e pela AHRESP e posterioromente 2º lugar a nível ibérico em 2009;
• Vencedora do concurso JOVEM COZINHEIRO DO ANO promovido pela NESTLÉ em abril de 2010;
• Vencedora do concurso TALENTO DA GASTRONOMIA promovido pelo TURISMO DE PORTUGAL em maio 2010;
• 2ª Classificada no CONCURSO EUROPEU “COOK&SERVICE” promovido pela AEHT em outubro de 2011;
• Medalha de excelência no EUROSKILLS (Campeonato Europeu das Profissões) em dezembro 2011.