«Que quero ser enquanto mãe? Enquanto pai? Que pretendo passar aos meus filhos? Qual a imagem que espero que tenham de mim mais tarde?», são perguntas que Marta Lopes, 39 anos, mentora do projeto «Famílias em Construção», coloca frequentemente aos que procuram o seu apoio.
O projeto surgiu em 2014 e ganhou o nome por ser «um processo que nunca tem, realmente, um final», é um trabalho constante. Lopes explica que as pessoas têm «sempre o poder de mudar e construir algo novo e melhor». Esta técnica de psicologia desde sempre se interessou pelas temáticas relacionadas com a família. Mais tarde, decidiu aliar o coaching parental enquanto prática de intervenção em contexto familiar. «É uma forma de trabalhar com pais, mães ou educadores. Intervimos nas necessidades que as pessoas sentem que querem alterar. Primeiro, é preciso esclarecerem consigo próprios o que não gostam numa determinada situação. Depois trabalhamos formas de alcançar objetivos. O processo varia consoante as pessoas, famílias e os problemas». A grande mais-valia em relação a outras intervenções é «que se respeita aquilo que é importante para aquela família e os seus timmings. São os pais que definem quais são os objetivos que querem, enquanto que noutras abordagens de intervenção é o técnico que estabelece essas metas».
A maior parte dos problemas estão relacionados com queixas da escola, problemas de comunicação, má gestão do tempo e divórcios. Em geral, quem mais procura apoio são mães com filhos entre os 3 e os 12 anos. «Sentem-se sobrecarregadas. Têm de conciliar o trabalho com as exigências de ser mãe. É esgotante e sentem-se desesperadas. No contexto familiar, esta situação reflete-se em menos disponibilidade para a família, o que leva muitas mães a um sentimento de culpa. E depois, o pouco tempo que dispõem, querem que seja perfeito… mas frequentemente, não o é».
Lopes explica que a maior parte dos pais perguntam «quero mudar isto no meu filho. Como é que eu faço?» Uma premissa importante que não é fácil para os adultos interiorizarem é que «não conseguimos controlar o comportamento dos nossos filhos. Esta é uma ilusão que muitos pais têm. Podemos influenciá-los, mas não controlá-los. Porém, uma mudança naquilo que fazem ou dizem pode ter consequências que levam a uma alteração do comportamento», garante.
Lopes reforça ainda que os pais são «muito julgados» pela sociedade. «Se um menino se porta mal, olha-se logo para os pais. Até a família pressiona e ajuíza muito», lamenta.
O apoio do «Famílias em Construção» pode ser feito de duas formas: presencial nas zonas de Faro e Loulé ou virtualmente, através de videoconferência. Lopes aderiu a este método devido à falta de tempo dos clientes «não têm de se deslocar e podem confortavelmente ligar-se a partir da sua própria casa num horário que lhes seja mais conveniente. Resulta muito bem!»
E de novo, sublinha que a «falta de tempo» é uma das problemáticas mais abordadas. «As pessoas aproveitam mal o pouco tempo que têm. Por exemplo, a hora do banho ou a viagem do carro para a escola. Há que transformar esses momentos e dar-lhes valor. Criar ligações. As pessoas vivem muito ou no passado ou no futuro, presas no tempo que não tiveram e preocupadas com o que está para vir. Não aproveitam o presente. E efetivamente, o presente é o único tempo que temos», sublinha.
A «Famílias em construção» organiza ainda sessões de grupo e workshops. Os grupos podem ir até seis participantes e são subordinados a temas, como por exemplo: «Famílias livres de gritos: as birras aqui não mandam» ou «Tempo para que te quero: cultivar tempo para a família». Os workshops acolhem até 12 participantes em simultâneo. Abordam diversas problemáticas. O preço dos eventos e sessões variam entre os 25 e os 50 euros. No final de cada processo é notória «uma confiança renovada» por parte dos pais. «Apercebem-se de que não têm as respostas todas, mas que têm a capacidade para as construir», sublinha a mentora do projeto. No início de 2016, será lançada uma calendarização dos eventos e temas a trabalhar ao longo do primeiro semestre do ano.