«Sempre tive o objetivo de criar uma empresa. E como gostava desta área do entretenimento, o meu sonho era conceber, construir e fabricar equipamentos de animação e lazer. Na altura não tinha capital. Comecei por onde é preciso menos investimento, o aluguer dos equipamentos: comprar e alugar. Muito simples», diz Ângelo Lobo.
Na verdade, a sua história até é bastante invulgar. Nasceu em Gaia e aos 9 anos foi viver para Lisboa, onde viveu até aos 27. Formou-se em Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico e não teve dificuldade em arranjar emprego estável depois dos estudos. Trabalhou numa empresa intermunicipal, onde rapidamente chegou a gestor de manutenção dos equipamentos móveis. Passado um ano e meio, achou que não iria evoluir muito mais, saiu e mudou-se com a família para Lagos.
«Seis meses antes de criar a empresa, vi o que existia e pensei que poderia fazer muito melhor, muito rapidamente. Fiz uma base de dados com todos os meus potenciais clientes – centros comerciais, câmaras municipais, por aí. Essa foi a chave do início do meu sucesso. Em casa, de pijama, em frente ao computador com o telemóvel na mão, fui construindo uma rede de contactos. A minha primeira contratação foi um designer e a primeira coisa que fiz foi um catálogo» para os poucos equipamentos que disponibilizava no início.
Hoje trabalham em três frentes distintas. A primeira é a área do aluguer ao domicílio de equipamentos, como insufláveis. «Quisemos entrar nas festas privadas das pessoas. Criamos essa necessidade. Não fomos pioneiros. Havia outras empresas mas praticavam preços muito altos. Democratizamos o mercado». Os preços são fixos, qualquer pessoa pode aceder ao website e saber quanto vai gastar com a brincadeira, incluindo taxas de deslocação. A empresa expandiu-se para Lisboa, onde teve grande aceitação, já que muito deste mercado era explorado por amadores e biscateiros «que alugavam insufláveis ao fim de semana». Ainda hoje, é a zona que mais trabalho dá à empresa.
Por outro lado, «trabalhamos muito com empresas, canais de televisão, marcas alimentares que querem os nossos equipamento» para eventos temáticos. O terceiro mercado é o aluguer de equipamentos para os eventos organizados pelas autarquias. Um exemplo típico é o Dia Mundial da Criança. «Neste momento, a economia está a recuperar. Há câmaras que fazem eventos no valor de 50 mil euros com alguma facilidade. Isso há dois anos era impensável», revela.
Aliás, quando fundou a empresa em 2009, foi «mesmo a pior altura possível para começar. Crescemos sempre, mas houve um retrocesso em 2011, acho que foi quando Portugal bateu no fundo. Pelo contrário, 2015 é o nosso melhor ano de sempre».
Os insufláveis são adquiridos a vários fornecedores. A esperança média de vida é de quatro anos. A «My Dynamic» teve de desenvolver técnicas e know how para os manter operacionais. «Aqui em Lagos existem duas empresas de fabrico de velas para barcos. Aprendemos muito com eles», diz Lobo.
E como é que se gerem 100 insufláveis entre o Algarve e Lisboa? «Com um software criado por nós, que nos deu muita luta. Todas as semanas uma carrinha faz trocas de equipamentos entre o sul e a capital. A grande maioria é alugada ao fim de semana. Isso pode ser um pesadelo logístico, porque o erro humano é grande. Rapidamente nos esquecemos de algo», falhas que o programa informático ajudou a colmatar.
……………………………………………………………………………………………
Diversão para jovens adultos, um setor em crescimento
O core business do mercado do aluguer de equipamento «ataca muito o segmento até aos 12 anos de idade», admite Ângelo Lobo. Mas a verdade é que «o mercado para o segmento acima dos 15 anos está a aumentar». Por exemplo, «os eventos das associações de estudantes nas escolas, com os touros mecânicos». «Estamos a falar de jovens de 17 anos que até há pouco tempo não queriam saber disto para nada». As áreas «radical, desportiva e team building, interessa-lhes muito». Aliás, o futuro está nas faixas etárias superiores. «O segmento dos 20/30 anos está a crescer cada vez mais. O nosso investimento para 2016 na área do aluguer vai nesse sentido». E o que há para essas idades? «Agora está na moda as corridas tribais, as corridas impossíveis». Veja-se o caso do maior insuflável da empresa, um gigante de 10 metros de altura por 30 metros de cumprimento e 10 de largura, com o simpático nome de «Kamikaze». Serve de obstáculo neste tipo de provas divertidas para adultos. «Os participantes têm que subir e escorregar para dentro de um buraco com lama…» (risos). «Cada vez mais as pessoas gostam de entretenimento e de se divertir fazendo atividade física. Cada vez mais aproveitam o quotidiano e usufruem da vida. E é por isso que estamos a crescer», conclui.
……………………………………………………………………………………………
Inovar para a diversão
«Tenho algumas ideias para fazer equipamentos que não existem e introduzí-los no mercado. Isso tem alguns riscos, temos de fazer protótipos, mas é possível», diz Ângelo Lobo. No ano passado, conseguiu finalmente realizar o seu sonho e fabricar o primeiro dynamic bungee – uma plataforma de saltos para crianças com cabos e roldanas. Com a experiência aprendeu que «há muita coisa que se pode melhorar, no tempo de montagem e no tempo de colocar cada um dos participantes. Tentei mudar isso com pequenos ajustes de engenharia». «Penso que somos ainda leigos. Esta área é muito forte a nível internacional. Mas é nossa vontade apostar na criação e fabrico» destas máquinas de divertir. Em dezembro passado esteve em Itália e mais recentemente na Suécia onde viu as novidades do setor. «Há ideia brilhantes, mas qualquer investidor tem muita relutância em trazê-las para Portugal, porque sabe que não vai ter rentabilidade. É o caso da onda estática, uma máquina que dá para surfar. Isso custa 500 mil euros. Tenho muita vontade de trazer isso, porque é uma novidade e porque são coisas que as pessoas gostam»…
……………………………………………………………………………………………
Há lobbies a controlar os espaços públicos
Em dezembro do ano passado, Ângelo Lobo abriu o «Woop», um espaço de entretenimento familiar na zona industrial de Lagos. A ideia é rodar o equipamento de que dispõe, para que os visitantes encontrem sempre algo novo, em eventos a acontecer ao longo de todo o ano. Serve também de armazém logístico e sede da empresa. Contrariamente à sua política, teve de recorrer à banca para o tornar realidade. Mas garante que foi um passo certo. «Aqui consigo crescer e imprimir a minha dinâmica. Talvez um dia faça um parque temático. A empresa tem dimensão para isso. Não é uma coisa utópica», considera. «Para montar isto num espaço público, teria de ir à China dez vezes», ironiza. «Se apresentasse este projeto, um investimento considerável, para um espaço público, iria encontrar mil e um entraves», considera. Habituado a lidar com concessões, Lobo dá um exemplo muito concreto, com base na realidade do Algarve. Imagine «que existe um espaço público, por exemplo, ao pé do mar. Só porque alberga um evento no mês de agosto, durante uma semana, se eu apresentar um projeto para dinamizar esse local durante todo o ano, o que implica criar, pelo menos, um posto de trabalho, o meu projeto não é aprovado. Isto acontece no Algarve», denuncia. «Já me aconteceu muitas vezes apresentar uma ideia e ser recusada. No ano seguinte, está lá algo muito parecido ao que sugeri». Ou então, «imagine que tenho aqui uma geringonça para colocar num espaço público. Algo que só eu é que tenho em Portugal. Dizem-me que o meu projeto tem de ir a concurso público…» consigo próprio.
……………………………………………………………………………………………
Combate à obesidade infantil
Uma das missões de responsabilidade social da «My Dynamic» é o combate à obesidade infantil. «Fazemos muitos eventos gratuitos» para associação que em Portugal tenta travar este flagelo moderno. «Estamos constantemente a ser requisitados para eventos de solidariedade. Tentamos ir a todas, sobretudo quando tem a ver com desporto», garante Ângelo Lobo.
……………………………………………………………………………………………
Fun Day – receita contra a sazonalidade
«A primeira ação que fiz para combater a sazonalidade» na região foi criar o evento Fun Day fora da época de verão. «Toda a gente quer fazer coisas no Algarve no verão. Mas alguém tem de começar a combater isto».
……………………………………………………………………………………………
Quase um milhão de euros em equipamentos
Ângelo Lobo estima em 900 mil euros o parque de equipamentos que a sua empresa possui, investidos ao longo dos sete anos. Já é uma indústria que emprega oito trabalhadores fixos, mas durante o verão «chegamos a ter até 60 colaboradores» nas várias concessões.