Três dias a abrir caminhos nas marcas do fogo: foi este o mote da edição deste ano do Barão de São João – Walk & Art Fest.
A oitava edição do Barão de São João – Walk & Art Fest terminou no domingo, dia 9 de novembro, após três dias de caminhadas, arte, workshops, música e atividades de descoberta de natureza para toda a família, em vários espaços da aldeia e da mata.
O festival fez-se, como sempre, de muitas iniciativas, incluindo caminhadas, passeios de BTT, workshops de artes, tertúlias, exposições, sessões de poesia e de cinema, atividades de descoberta da natureza e práticas de bem-estar.
Algumas novidades deste ano foram recebidas com entusiasmo, como as oficinas de impressão botânica e de origami, a caminhada cultural por Barão de São João, a experiência da pré-história ou as provas de orientação com mapa para pais e filhos.

A instalação artística, que todos os anos ocupa as ruas da aldeia e alguns espaços da mata com obras criadas especificamente para o festival, veio mostrar como a arte abre caminhos à reflexão e à regeneração de uma comunidade.
As obras, com o tema «Fogo!», testemunharam a experiência vivida com o grande incêndio que destruiu parcialmente aquela área de floresta, em setembro, mas apontaram também para as diferentes formas de renascer depois das cinzas.
Os 18 artistas participantes partilharam, cada um à sua maneira, uma consciência renovada da fragilidade e da urgência de preservar os valores da natureza e da cultura em que vivem.
A atuação do Coro Primavera, que encheu a Igreja Matriz de Barão de São João, foi outro dos pontos altos do Walk & Art Fest. Vozes de várias nacionalidades uniram-se a cantar um repertório de música tradicional portuguesa, mas também temas da tradição argelina e sul-africana – uma escolha reveladora do espírito multicultural que anima esta aldeia.
O mesmo espírito subiu ao palco do Centro Cultural durante a atuação dos Swing’n 125, com músicos de diferentes origens a aquecer a noite com os sons suaves do jazz clássico.

No total, houve 1.665 inscrições nas 123 atividades programadas, com muitos a aproveitarem o fim de semana de sol para participar em mais do que uma atividade.
Foi, mais uma vez, um festival marcado pela diversidade, com participantes de 24 países e de todas as idades a visitar Barão de São João.
Entre os portugueses, além dos residentes no Algarve, o Barão de São João – Walk & Art Fest atraiu pessoas de localidades como Braga, Porto, Coimbra ou Setúbal.
O Centro Cultural de Barão de São João voltou a ser o local central do evento, funcionando como ponto de encontro e convívio, base do secretariado do festival e espaço de exposição e venda para os artesãos locais.
Preservação da natureza e segurança em debate
A preservação da natureza e a segurança nos percursos pedestres deram o mote à sessão de abertura do festival, no dia 7 de novembro, trazendo para cima da mesa alguns temas importantes para o turismo sustentável.
Numa primeira intervenção, Ana Paula Martins, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), falou da crescente pressão que as áreas protegidas enfrentam devido à multiplicação de atividades de lazer, turismo ao ar livre e desportivas, ainda que muitas delas sejam compatíveis com a conservação.
O desafio está em conciliar o usufruto público com a proteção dos valores naturais e culturais destas áreas.
Luís Mendes, docente da Universidade de Lisboa e investigador do IGOT – Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, falou dos desafios da capacidade de carga turística, que representa o limite máximo de visitantes que um local pode receber sem que haja impactos negativos nos espaços naturais e nas comunidades locais, e sem comprometer a qualidade da experiência.
As pressões e desafios que o turismo implica foram analisados com algum detalhe, mas o investigador referiu também as oportunidades que surgem por exemplo com o turismo regenerativo e as parcerias público-privadas.
Alberto Ayora, especialista espanhol em gestão de risco, abordou a segurança em atividades de turismo de aventura, destacando a importância da prevenção, da identificação dos riscos, da certificação, e do planeamento de emergência, bem como da existência de códigos de boas práticas.
«Que uma atividade seja aparentemente fácil não significa que não tenha riscos. Os perigos que não estão identificados podem ser os piores», referiu Ayora, que mostrou também de que forma algumas tecnologias e sistemas de IA podem contribuir para a gestão de risco.
Na segunda parte da conferência, os caminhos e desafios do pedestrianismo no Algarve foram debatidos numa mesa redonda moderada pela jornalista Elisabete Rodrigues, do Sul Informação.
O Barão de São João – Walk & Art Fest, integrado no Algarve Walking Season, regressa de 6 a 8 de novembro de 2026.

Organização e parceiros
O festival é organizado pela Câmara Municipal de Lagos e pela Associação Almargem.
Os eventos decorrem em vários espaços dentro e fora da aldeia: o Centro Cultural de Barão de São João, o Perímetro Florestal de Barão de São João, o edifício A Paragem e o espaço Barão ConVida, entre outros.
O evento voltou a contar com várias parcerias, como empresas de animação turística e entidades oficiais que dinamizam grande parte das atividades.
A iniciativa integra o calendário do evento Algarve Walking Season, onde se incluem os outros quatro festivais de caminhadas existentes na região.