O presidente do Chega, André Ventura, avisou o governo que o partido votará contra a proposta de Orçamento do Estado para 2026 se considerar que tem de o fazer, porque «não é igual ao PS».
«Se os portugueses, no próximo ano, forem pagar mais de gasóleo ou de gasolina, se forem pagar mais quando vão às bombas de gasolina, este não é o nosso orçamento. Se os portugueses, quando olharem para o próximo orçamento, virem que continuamos a gastar na Segurança Social mais dinheiro em subsídios e em apoios a quem não trabalha do que a quem trabalha ou a quem trabalhou, este não é o nosso orçamento», afirmou.
André Ventura disse que também não o é se, «apesar de todas as maroscas que o governo faz», os jovens tiverem de «trabalhar o triplo ou o quádruplo do jovem europeu para ganhar alguma coisa de jeito» e tiverem de emigrar.
«E se não é o nosso orçamento do Estado, acreditem nisto, nós não temos nem medo, nem receio, nem nenhuma contingência. Nós votaremos contra se tivermos que votar contra e não teremos medo de o assumir publicamente», avisou o líder do Chega.
André Ventura discursava na esplanada de um restaurante junto ao parque da cidade de Loures, perante algumas dezenas de autarcas eleitos pelo Chega neste município e em Odivelas.
«O governo pode esquecer-se e acha que o Chega é um partido igual ao PS, se acha que é um partido que se vende por lugares, por cargos, por palmadinhas nas costas. Não somos, nunca fomos, e já mostrámos que não somos e já mostrámos que quando temos que ir à luta, vamos», salientou.
André Ventura referiu que o «governo prometeu um orçamento amigo das pessoas, amigo das empresas e dos contribuintes», mas apresentou «faz muito parecido com o que fez o PS».
O líder do Chega voltou a dizer que não aceitará um aumento do custo dos combustíveis e pediu mais medidas de apoio aos antigos combatentes.
«Nós olhamos para este orçamento, apesar do que o primeiro-ministro me disse, e está exatamente na mesma, os antigos combatentes não têm mais nada. Aliás, um imigrante que chega a Portugal de barco, ilegal, recebe mais e ganha mais da Segurança Social do que um qualquer antigo combatente. Nós não aceitamos isso», indicou.
E acrescentou: «se a esquerda e o PSD aceitam isso, eu quero dizer ao primeiro-ministro, se ele acha que um antigo combatente vale menos do que um marroquino que vai ter à praia do Algarve, ou que vai ter a outra praia qualquer, estamos em lados opostos e nós se tivemos que votar contra, votaremos contra. Isto não é uma questão política, é uma questão de decência do país».
A proposta de Orçamento de Estado para 2026 já tem aprovação garantia, com a abstenção do PS.
Foto: Chega.