Porque a arte de transmitir e de moldar no papel os textos e as imagens, fabricam um produto final a que muitos costumam chamar de «quarto poder».
Hoje, em 2015, nós que viemos do século passado, chegou o momento de passagem de testemunho, para que o jornal possa continuar a correr. Esta é uma crónica simples, que apenas procura deixar umas últimas linhas de quem esteve 40 anos ao serviço do jornalismo regional, hoje apelidado de proximidade, em forma de fecho, apenas e só, de mais uma edição.
Semana a semana é preciso construir um produto final, para o qual a redação e restantes trabalhadores do jornal, bem como os colaboradores, dão as «deixas», quantas das vezes na base das suas fontes de informação, para se projectar a edição seguinte.
Não é fácil, quando pretendemos apresentar um jornal diferente e com qualidade que permita aos leitores distingui-lo da concorrência.
Porque um jornal só se valoriza pelos seus exclusivos e por transmitir e ser capaz de formar opinião.
Não sou adepto de despedidas, é coisa que nos constrange e reprime psicologicamente. Prefiro dizer «até logo…» para ter a certeza de que nos voltamos a encontrar.
Como todo o nosso ciclo de sobrevivência – porque a vida são apenas dois dias, o que se nasce e o que se morre – tem ao longo da sua duração muitos recomeços, hoje, vou dar início a mais um.
Todos nós plantámos ao longo desse ciclo muitas árvores. Deixo com muito orgulho, uma daquelas espécies que produziu frutos que estão espalhados um pouco por todo o lado.
Se arrancar uma crónica é por vezes difícil, quando se trata de a fechar torna-se tudo mais complicado. Vou ser simples e sintético (entenda-se que ninguém fica de fora deste meu abraço).
Aos trabalhadores do jornal, aos meus amigos, colaboradores, anunciantes, assinantes e leitores, aos políticos e a muita gente anónima, o meu abraço do tamanho da Nação Algarve.