Carlos Duarte recebe Honoris Causa da UAlg pelo impacto do carbono azul nas políticas climáticas internacionais.
A Universidade do Algarve (UAlg) atribuiu o grau de Doutor Honoris Causa a Carlos M. Duarte, cientista que integra o 1% mais citado do mundo e distinguido em 2025 com o Prémio Japão.
A cerimónia realizou-se na segunda-feira, dia 2 de março, no Grande Auditório Caixa Geral de Depósitos, no Campus de Gambelas, num contexto marcado pelos desafios da resiliência climática e pela recente apresentação, no Algarve, do programa PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência.
Na sessão de abertura, a reitora da UAlg, Alexandra Teodósio, destacou o carácter simbólico da distinção num momento em que o país enfrenta impactos crescentes das alterações climáticas.
Sublinhou que o trabalho de Carlos Duarte foi determinante para integrar ecossistemas costeiros, como sapais e pradarias marinhas, nas políticas climáticas internacionais, através da consolidação do conceito de carbono azul, transformando conhecimento científico em instrumentos concretos de mitigação e adaptação.
Alexandra Teodósio salientou ainda a ligação do investigador ao Algarve e à universidade, através da colaboração com o Centro de Ciências do Mar (CCMAR). Defendeu que a região pode afirmar-se como hub de excelência em resiliência costeira e finanças de natureza no Atlântico.
A responsável lançou o desafio de reforçar parcerias internacionais, incluindo com a King Abdullah University of Science and Technology (KAUST), para desenvolver projetos de restauro ecológico com monitorização científica robusta e mecanismos de medição, reporte e verificação capazes de gerar créditos de carbono de elevada integridade.
«Celebramos hoje não apenas uma carreira notável, mas uma ciência capaz de transformar conhecimento em impacto real, na saúde dos ecossistemas, no bem-estar das populações e na prosperidade sustentável do território», afirmou.
Na laudatio, a madrinha da cerimónia, Ester Serrão, docente da UAlg e investigadora do CCMAR, traçou o percurso científico do homenageado. Referiu uma carreira de projeção internacional, com mais de 1.100 artigos publicados e presença consistente entre o 1% de cientistas mais citados do mundo.
Ester Serrão destacou o papel fundador de Carlos Duarte no desenvolvimento do conceito de «Carbono Azul», formalizado em colaboração com agências das Nações Unidas e hoje integrado em estratégias globais de mitigação e adaptação às alterações climáticas.
Assinalou também a liderança de iniciativas internacionais dedicadas à reconstrução da vida marinha até 2050 e à proteção dos recifes de coral.
«O professor Carlos Duarte não transformou apenas a ciência marinha, transformou a forma como o mundo olha para o oceano», afirmou.
No seu discurso, Carlos M. Duarte agradeceu a distinção, que considerou uma honra para si e para a sua família. Recordou a ligação ao Algarve desde 1983 e destacou as colaborações científicas com investigadores da UAlg, que resultaram em dezenas de publicações conjuntas e na formação de estudantes de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento.
O investigador enalteceu a Ria Formosa como um dos ecossistemas mais produtivos da Europa e apontou como desafio central conciliar desenvolvimento económico e conservação marinha. Defendeu que a cooperação científica internacional permanece uma resposta essencial num mundo marcado por conflitos e afirmou que a distinção o ajudou a reencontrar as suas raízes portuguesas.
A proposta de atribuição do título partiu da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da UAlg e foi aprovada por unanimidade no Senado Académico, reconhecendo uma carreira científica de impacto global e contributo direto para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
Carlos M. Duarte é professor Ibn Sina em Ciências Marinhas na KAUST, na Arábia Saudita, e CEO da Plataforma Global de Aceleração de Investigação e Desenvolvimento de Corais.
Foi diretor do Oceans Institute da Universidade da Austrália Ocidental e ocupou cargos em Espanha, Noruega e Dinamarca. A sua investigação centra-se nos efeitos das alterações globais nos ecossistemas marinhos e no desenvolvimento de soluções baseadas nos oceanos para desafios globais.
Com base em trabalhos que demonstram que mangais, ervas marinhas e salinas funcionam como sumidouros de carbono relevantes à escala global, desenvolveu, em colaboração com agências da ONU, o conceito de Carbono Azul.
Autor de mais de 1.100 artigos científicos, foi distinguido a 16 de abril de 2025 com o Prémio Japão, atribuído pelo Imperador do Japão, pela «contribuição para a nossa compreensão do ecossistema marinho numa Terra em mudança, especialmente através da investigação pioneira sobre o Carbono Azul».
É ainda doutor honoris causa pelas Universidades de Utrecht e Quebec.

