Uma das definições para a palavra talento é a «aptidão digna de nota, natural ou adquirida, para alguma coisa, para uma atividade»
Embora algumas pessoas tentem confinar esse dom às artes e ao desporto, o mesmo pode manifestar-se noutras áreas distintas. Por exemplo, quando aliado ao empreendedorismo pode resultar em excelentes casos de sucesso. Tiago Paixão, 28 anos, encaixa-se neste perfil, na área do bar. Começou em 2002, nas férias de verão, como tantos algarvios, durante um trabalho temporário a acompanhar o pai, profissional experiente. Apaixonou-se pela profissão e, desde aí, não mais parou.
Depois de ter passado por duas outras unidades hoteleiras, inscreveu-se no curso de Restaurante e Bar, na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, polo de Portimão, com a duração de quatro anos. Já tinha percebido, nessa altura, que não singraria no meio, sem uma formação adequada. Ao mesmo tempo, ia trabalhando em eventos, com várias firmas de catering para adquirir experiência.
barlavento – Que aconteceu, quando acabou o curso?
Tiago Paixão – Continuei a fazer formação. Frequentei um curso na Cocktail Academy, de Paulo Ramos, uma escola muito acreditada em Portugal. Depois, trabalhei em bons hotéis, como a Vila Lara e Hotel Júpiter, e em alguns bares de Alvor, Sports Café e Mourisca, os quais apresentam um nível de serviço de cocktails e bar muito à frente do habitual.
Como apareceu a «Paixão Bartender»?
Levei todos estes anos a trabalhar e a estudar, para desenvolver o meu próprio conceito e criar o meu negócio, o meu objetivo. Tirei ilações do que se fazia nos locais onde trabalhava, para me sentir à vontade e poder dar resposta ao mercado, quando a oportunidade surgisse. Aconteceu no final do passado ano. Abri uma empresa para cobrir uma lacuna que existia, no Algarve, no campo do bar catering.
Pode ser mais específico?
Em Lisboa, no Porto e em vários outros pontos do país, qualquer tipo de empresa recorre a este serviço. Acima de tudo, é um serviço de bar especializado, com muita qualidade e dinamizado por pessoas que sabem o que fazem, e que proporcionam um serviço diferente. Além das bebidas tradicionais, trazemos inovação. No meu caso, insiro produtos regionais, com a qualidade sempre presente. Uso os licores de alfarroba e de figo, a aguardente de figo, compotas de batata-doce e de figo. E, também, alguns produtos criados por mim, como a hortelã, o maracujá e os limões. O resto é fornecido pelos produtores locais. Vou buscar figos a Silves e tangerinas a Portimão, por exemplo. Promovo os produtores e os seus produtos, porque as pessoas gostam e perguntam onde os podem encontrar. É uma boa sinergia.
Como funciona, em termos de equipamento?
Tenho um bar portátil que cumpre todos os requisitos da norma HCCP, ou seja, da segurança alimentar, aliada à logística de serviço americano, muito funcional. Com este bar estou pronto para ir a qualquer lado, qualquer festa, qualquer apresentação ou evento. Neste momento, estou a fazer apresentações dos produtos de uma empresa de Silves, especializada em licores regionais e aguardentes, e também fabricante de um novo gin algarvio. São produtos premium. Já tenho serviços agendados para servir bebidas à base de produtos regionais, com ou sem álcool, mais saudáveis.
Digamos que o cliente deseja um serviço de casamento para 200 pessoas. Consegue fornecê-lo, sozinho, com a qualidade que apregoa?
Sem problemas. O modo como o meu bar está estruturado, no estilo americano, permite-me fazer o trabalho, mas para mim, o fator primordial é estar sempre focado no cliente. Tenho de contratar alguns auxiliares, geralmente umas meninas bonitas, para circularem pela sala a distribuir as bebidas e recolher os copos vazios, como é lógico. Aliás, nos casamentos, é muito requisitado o serviço de cocktail show, porque as pessoas querem algo especial.
Digamos que pode oferecer um serviço variado…
Exatamente. Disponho de três tipos de serviço: o serviço de bar catering normal, o serviço de bar regional e o show flair. Este último é o tipo de trabalho que predomina no Inverno, quando está tudo mais calmo e faço encontros empresariais. Também é frequente em restaurantes que desejam presentear os clientes com algo diferente, como cocktails aperitivos ou digestivos. Outro conceito que desenvolvi são os cocktails de fruta fresca.
Há quem diga que o uso de produtos regionais encarece o preço dos serviços. Concorda?
Bem, torna-se um pouco mais dispendioso. Mas estamos a ajudar os produtores locais. E se os produtos têm mais qualidade, têm de ser mais caros. Na verdade, até nem é. Com o meu conceito, consigo contrabalançar as coisas e o serviço torna-se acessível a qualquer orçamento.
A sua empresa é única no Algarve?
Há outra empresa, mas é diferente da minha. Trabalha com produtos diferentes e bebidas diferentes. Logo, posso dizer que sou único no Algarve, neste momento.
Tiago Paixão ou Paixão Bartender pode ser contactado pelo 917 940 905.