Theodoro Fonseca, o acionista maioritário da SAD do Portimonense, esteve à conversa com alguns jornalistas após o jogo de ontem, terça-feira, 29 de janeiro, frente ao Desportivo de Chaves, que terminou com uma derrota dos algarvios por 0-1.
O «barlavento» foi um dos meios de comunicação que conversou com o empresário brasileiro, no exterior do Portimão Estádio.
Sobre Nakajima, o dirigente confirmou o que já tinha sido revelado por António Folha na conferência de imprensa – o japonês está mesmo de saída. Afirmou que «foi a vontade do jogador», e esclareceu que «com tantas propostas, era impossível segurar» o atleta nipónico. «O Nakajima tem todo o direito de optar por este caminho, foi sempre um enorme profissional, foi um grande homem connosco», elogiou Theodoro Fonseca.
Quanto às propostas recebidas, o empresário foi contundente: «tivemos oito propostas em cima da mesa», acrescentando que o Al-Duhail, clube do Qatar que vai receber Nakajima, «insistiu muito para ter já o jogador, apresentando um projeto muito ambicioso». Revelou ainda que Rui Faria, o técnico português que chegou há pouco tempo ao comando dos qatarianos, «conversou com o Nakajima». O japonês «hesitou bastante, porque gosta muito do Portimonense e de Portimão». Mas a decisão acabou por ser tomada, e esta foi «a maior proposta que recebemos pelo atleta».
Os valores do negócio não são revelados porque «existe um acordo de confidencialidade», mas o membro da SAD algarvia garante que esta «foi a melhor proposta para o clube e para o jogador». Apesar do bom encaixe financeiro, Theodoro assume que não vai «entrar em loucuras».
Theodoro Fonseca revela também que o jogador assumiu que «a ficar em Portugal, ficava sempre no Portimonense», apesar da «proposta concreta do Sporting» e do interesse demonstrado por FC Porto e Benfica.
O acionista da SAD pretende agora «descobrir novos talentos». A sucessão do japonês não o assusta – «trouxe o Nakajima e ninguém o conhecia, trouxe o Tabata e ninguém o conhecia, o mesmo com o Lucas, vamos dar tempo ao tempo para encontrar novos Nakajimas».
E sobre reforços? «Lincoln, Thiago (ex-Coritiba, lateral esquerdo) e Henrique (ex-Fluminense, extremo)» são os jovens jogadores garantidos pelo emblema algarvio, entrando no imediato para o plantel sub-23, com o objetivo de se ambientarem ao clube. Theodoro Fonseca revelou ainda que quer garantir a contratação de «um médio japonês, jovem, integrado na seleção» daquele país que participa na Copa da Ásia.
E japonês é também Shuichi Gonda, o guarda-redes já garantido pelo Portimonense. Apesar dos 29 anos, o acionista maioritário da SAD portimonense revela que ainda vê o guardião como um jovem, assumindo que o nipónico vai ainda ter de passar «por um período de adaptação», enaltecendo o facto de estarmos perante «o melhor guarda-redes da Ásia e do Japão».
Com a entrada de Gonda, pode ser aberta a porta da saída para Ricardo Ferreira ou Leo Navacchio. Theodoro Fonseca pensa que «ambos têm qualidade para um grande», e revela que Ricardo Ferreira foi mesmo alvo de «interesse por parte do Braga, e teve um pé num dos grandes do campeonato português, acabando por não se concretizar o negócio por questões internas desse clube». «O interesse desse emblema no Ricardo continua ativo», revelou-nos, assumindo que a contratação de Gonda assenta na preparação «da sucessão».
Quanto a mais entradas, o administrador é taxativo: «só em Julho, por agora não vem mais ninguém», acrescentando que «temos de dar oportunidade aos que cá temos, à prata da casa, não podemos contratar por contratar».
«Somos um clube modesto, que quer chegar longe um dia. Este projeto do Portimonense é sólido», refere o empresário da SAD. Competições europeias e ser campeão? «Querer eu quero, mas a expectativa e a realidade são coisas diferentes, é preciso dar tempo ao tempo e crescer de forma sustentada», assume o investidor, prosseguindo: «Queremos melhorar a estrutura do clube, melhorar a relação do futebol com a cidade, aproximar os adeptos do clube».
O acionista relembra ainda que quando chegou ao clube, há quatro anos, o Portimonense «não tinha centro de estágio, não tinha roupa para treinar, não tinha ginásio, não tinha departamento médico, e hoje temos tudo isso, e as infraestruturas ainda vão melhorar mais». «Queremos ter uma cidade do futebol em Portimão, que nos dê bons frutos no futuro», acrescenta.
Theodoro Fonseca deixou ainda um breve comentário ao jogo a que tinha acabado de assistir, que terminou com uma derrota da sua equipa: «foi um acidente de percurso e uma batalha perdida, mas a guerra continua». «O jogo não teve qualidade suficiente, foi um espetáculo fraco», rematou para concluir.