Tarifário da água em Faro será atualizado em 2,14% a partir de 1 de março, abaixo da inflação, após aprovação municipal e apreciação da ERSAR.
O tarifário da água em Faro vai ser atualizado em 2,14% em 2026, abaixo da inflação de 2,3%, com efeitos a partir de 1 de março, segundo uma proposta da empresa gestora do serviço aprovada pela Câmara Municipal.
De acordo com a proposta da Fagar, a atualização só entra em vigor após deliberação municipal e apreciação da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), mantendo-se até essa data o tarifário de 2025.
O documento esclarece que o tarifário de 2026 terá repercussão no utilizador durante apenas 10 meses. Por esse motivo, foi aplicada uma atualização de 2,14%, em vez dos 1,8% que seriam aplicados num período normal de 12 meses, em cumprimento da recomendação tarifária da ERSAR.
A aprovação do aumento motivou críticas do PSD Faro, que rejeitou o argumento da maioria socialista de que a subida visa responder às dificuldades financeiras da Fagar e evitar prejuízos resultantes da ausência de atualização de preços.
Em comunicado, o PSD afirmou que Faro, juntamente com Tavira e Olhão, apresenta dos tarifários da água mais elevados do Algarve. O partido recordou ainda que, em 2023, o PS se opôs a um aumento proposto pelo executivo anterior, liderado pelo PSD, classificando-o como injustificável e sublinhando que a ERSAR teria recomendado a redução do preço.
O PSD acusou o PS de incoerência política e defendeu que, em vez de aumentar os preços, deveriam ser adotadas medidas para melhorar a eficiência da empresa, reduzir perdas e recuperar condutas obsoletas, recorrendo a financiamento a fundo perdido disponível para o Algarve.
A Lusa solicitou uma reação ao executivo municipal.
O presidente da Câmara de Faro, António Miguel Pina, respondeu que a interpretação do PSD constitui «uma inversão da realidade».
Segundo o autarca, «hoje cumpre-se a lei e as orientações regulatórias», acrescentando que, em 2023, o anterior executivo PSD aumentou taxas «em mais de 300% em alguns casos», acima do recomendado.
António Miguel Pina considerou que, tendo em conta os 12 meses do ano, o ajuste efetivo em 2026 corresponde a 1,8%, abaixo da inflação registada em 2025. Classificou a posição do PSD como «teatro político» e garantiu que a maioria PS continuará a trabalhar para assegurar a sustentabilidade dos serviços públicos essenciais e proteger o poder de compra das famílias.
Foto: Bruno Filipe Pires