Portugal regista desde o início de dezembro um excesso de mortalidade de cerca de 22%, associado ao frio e à epidemia de gripe, segundo a DGS.
Portugal regista, desde o início de dezembro, um excesso de mortalidade de cerca de 22%, associado ao frio e à epidemia de gripe, segundo uma análise preliminar da Direção-Geral da Saúde (DGS).
Num balanço divulgado à Lusa, a DGS e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) referem que o padrão é compatível com a fase epidémica da gripe sazonal, com maior incidência nos grupos etários a partir dos 65 anos, em especial na população com 85 e mais anos.
De acordo com o balanço, observa-se um aumento proporcional das mortes por doenças do aparelho respiratório, que passaram de 9,7% no início da época gripal para 17% no período mais recente analisado.
As entidades identificam ainda um ligeiro aumento das mortes por doenças cardiovasculares e metabólicas, fenómeno frequentemente associado à exposição prolongada ao frio, sobretudo em pessoas idosas e com doença crónica prévia.
A DGS e o INSA sublinham que estes padrões são consistentes com o que historicamente se observa durante períodos de circulação intensa de vírus respiratórios e condições climáticas adversas, não existindo, até ao momento, indícios de fatores extraordinários ou inesperados.
Do ponto de vista geográfico, o excesso de mortalidade foi identificado em todo o território continental, tendo as regiões Norte, Centro e Algarve sido as primeiras a registar este padrão.
Um comportamento temporal e regional semelhante foi observado no número de consultas por síndrome gripal, sugerindo que a disseminação da epidemia de gripe ocorreu, neste inverno, de norte para sul.
Ainda assim, verifica-se um excesso proporcional ligeiramente superior nas regiões do Alentejo e do Algarve. Segundo a DGS e o INSA, estas diferenças refletem a interação de fatores como maior hesitação vacinal, características demográficas e condições de privação socioeconómica estruturais.
As entidades recordam que, uma a duas semanas antes do início deste período de excesso de mortalidade, foi identificado um aumento da atividade gripal que atingiu nível epidémico no final de novembro.
A circulação de um subtipo de gripe H3N1 é também referida como estando geralmente associada a maior impacto na mortalidade.
Em paralelo, Portugal atravessa um período prolongado de temperaturas baixas, com impacto conhecido na descompensação de doenças crónicas, em particular respiratórias e cardiovasculares.
Desde o início da atividade epidémica de gripe, a DGS reforçou a comunicação à população, incentivando a vacinação dos grupos de risco e a adoção de comportamentos preventivos, como a etiqueta respiratória e a higiene das mãos.