Sindicato diz que «é hora dos trabalhadores exigirem que os patrões recorram aos lucros acumulados durante os últimos anos».
O Sindicato da Hotelaria do Algarve emitiu, durante a noite de ontem, uma tomada de posição onde «exige o pagamento a 100 por cento para todos» os trabalhadores da área.
Segundo o Sindicato, «os rendimentos dos trabalhadores não podem ser reduzidos numa altura em que se perspectiva que as suas despesas aumentem, pelo que rejeitamos desde já as implicações que decorrem do regime simplificado de lay-off tal como foi apresentado pelo Governo, bem como as medidas previstas de apoio à família que implicam uma perda de salário. Mais grave é o facto de o montante a auferir ser distinto em função do vínculo laboral, como se fosse este a determinar as necessidades de cada pessoa».
O sector do turismo tem, para esta unidade sindical, «vindo a bater recordes sucessivos nos últimos anos mas, fruto do bloqueamento que os patrões têm vindo a fazer à actualização das tabelas salariais, a maioria dos trabalhadores tem vindo a verificar uma diminuição do seu poder de compra. Ao mesmo tempo que os lucros das empresas aumentaram de forma exponencial, os direitos e rendimentos da grande maioria dos trabalhadores foram reduzidos, nomeadamente, com o corte no pagamento do trabalho prestado em dia feriado, de descanso semanal e horas extras, desregulação dos horários, fragilização da contratação colectiva e limitação do exercício da liberdade sindical nas empresas».
Assim, «fruto dessa ofensiva cerca de 50 por cento dos trabalhadores recebe hoje o Salário Mínimo Nacional ou perto disso, situação que não podemos aceitar, pois compromete o direito a uma vida digna», reclama o Sindicato da Hotelaria, em comunicado enviado às redações.
Expressando preocupação pelo futuro decorrente desta pandemia, acrescentam ainda que «durante anos a fio os patrões foram acumulando a riqueza sem estarem preocupados com a degradação das condições de trabalho e de vida daqueles que a produziram com o seu esforço e sofrimento e agora, à primeira dificuldade, que se perspectiva durar até meados do início do Verão, vêm logo exigir que sejam os trabalhadores a pagar a maior parte da factura, ao mesmo tempo que, com base na ameaça do despedimento e do não pagamento dos salários, exigem ao Governo que desvie milhões de euros do orçamento da Segurança Social e do Estado para os seus bolsos. Então onde fica a responsabilidade social dos patrões e das empresas?».
Em jeito de conclusão, a direção do Sindicato da Hotelaria algarvia aponta um possível caminho: «agora é hora dos trabalhadores exigirem que os patrões recorram aos lucros acumulados durante os últimos anos, assegurando a manutenção dos postos de trabalho e o pagamento dos salários a 100 por cento, por forma a garantirem que os trabalhadores, que tanto têm perdido, não vejam agora as suas condições de vida ainda mais agravadas».
A direcção apela ainda aos trabalhadores «para não se conformarem com a redução do seu salário e dos direitos, demonstrando o seu descontentamento ao patronato e ao Governo. Com a nossa unidade e acção em torno do nosso Sindicato de classe, que não trai os trabalhadores e não desiste de lutar por melhores condições de trabalho e de vida, seremos capazes de fazer ouvir a nossa voz».