Projeto apoiado pelo Algarve 2030 permite à RELEVE modernizar processos, decidir em tempo real e reforçar a eficiência com foco em dados e pessoas.
Tudo começou em 2009 como um negócio focado no gás propano canalizado que evoluiu para uma operação de engenharia multidisciplinar nas áreas das energias renováveis, com foco no solar fotovoltaico, eletricidade, AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) e mobilidade elétrica, tanto para o setor residencial como para o empresarial.
Hoje, esta PME Líder emprega, direta e indiretamente, 38 pessoas e, ao longo dos últimos cinco anos, contribuiu para aumentar o parque solar fotovoltaico nos distritos de Faro e Beja em cerca de 17,55 megawatts (MW).
«Somos uma empresa completamente diferente daquela que fundámos», resume João Chaves, gerente da RELEVE. O core business inicial do gás representa agora apenas 12% da faturação, embora continue a ser uma «área ativa e interessante».
A evolução assenta em três pilares: investimento em tecnologias inteligentes de gestão (ERP e análise), tomada de decisão com dados em tempo real e, não menos importante, numa aposta «nas pessoas certas nos lugares certos».
A estratégia e a forma de estar no mercado também mudaram e assentam em parcerias sólidas com players de referência destes setores.
Gestão em tempo real para decidir melhor
A mudança mais profunda, contudo, ainda está em curso e é organizacional. Está diretamente ligada a um investimento apoiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030.
Avança graças a uma candidatura aprovada que totaliza cerca de 124 mil euros, dos quais 47 mil euros são cofinanciados, com execução prevista até novembro de 2026.
O projeto da RELEVE enquadra-se no aumento da competitividade das PME, com foco na digitalização e modernização dos processos operacionais. Inclui ainda um rebranding, para que a nova imagem e comunicação, a apresentar em breve, reflitam toda a evolução da empresa.

João Chaves recorda que, durante muito tempo, a estrutura trabalhou com ferramentas standard, com base num modelo de gestão que descreve como «limitado».
«A informação que a contabilidade transmite é sempre sobre a atividade passada. Por isso, estamos a implementar ferramentas que nos permitem avaliar o negócio no imediato, para que possamos tomar decisões, ajustar, minimizar impactos negativos, e potenciar melhorias constantes na operação. Isto é, informação presente em tempo real», explica.
Este projeto vai permitir um salto estrutural na forma como toda a atividade é planeada e gerida.
O investimento incidiu em hardware e software diversos, com foco particular numa ferramenta específica de análise de dados, segurança informática, licenças e na implementação de um sistema integrado de gestão (ERP) como base tecnológica do novo modelo organizacional, pensado para acompanhar todos os detalhes operacionais.
«Podemos comparar um ERP a uma cebola. Tem várias camadas. No início, vê-se apenas a superfície. Depois, à medida que avançamos, surgem as dificuldades. Mas sabemos exatamente onde queremos chegar», compara.
Mudança de paradigma: menos tempo perdido, mais eficiência
Segundo o empresário, adotar um ERP sofisticado, com um elevado nível de detalhe e fluxos orgânicos, implica também uma mudança de paradigma na rotina diária.
«Não é só uma questão de software. Trata-se, no fundo, de mudar a forma como as pessoas trabalham e pensam todo o negócio», refere.
«Sabíamos o porquê desta necessidade e dedicámo-nos a encontrar a solução que melhor se adaptasse à RELEVE do agora, mas sobretudo à do amanhã, de forma prudente e, acima de tudo, sem precipitações», acrescenta.
«Não foi uma decisão tomada de ânimo leve. Exigiu estarmos todos alinhados com o objetivo e termos consciência do esforço necessário de cada um para conseguirmos, juntos, alcançar o sucesso que uma implementação destas exige», sublinha o fundador.
E qual é o objetivo? Assegurar a gestão eficiente na sua máxima amplitude através de uma verdadeira «torre de controlo», que recebe e distribui todas as solicitações feitas à empresa.
Da «torre de controlo» à atividade no terreno
Explicado de forma simples: com base nos inputs iniciais, o sistema gera um workflow que acompanhará cada situação desde o início até ao fim, põe em circulação informação interna, e exige validação dos vários intervenientes.
«Todos nós na equipa recebemos diversos contactos por telefone, e-mail ou mensagens. Essas solicitações têm de estar numa estrutura organizada, com atribuição de responsáveis e entrar numa escala de prioridades, para que nada fique esquecido ou por tratar, tendo em conta tempos de resposta e a capacidade da empresa a cada momento», explica João Chaves.
E, se continuarmos a metáfora aeronáutica, o sistema deve assegurar uma consciência situacional constante. Por exemplo, são acompanhados os pedidos de proposta (orçamentos), a execução de trabalhos, as assistências técnicas, a faturação e a avaliação da satisfação do cliente. Tudo em tempo real.
E já se notam os ganhos. «Hoje conseguimos preparar uma apresentação em minutos. Antes, demorávamos dias a cruzar dados que implicavam longas e desgastantes reuniões, pouco regulares e, sobretudo, pouco produtivas», compara.

A nova abordagem permite «analisar apenas os indicadores que nos interessam e rapidamente perceber o que está a correr bem e onde temos de intervir no imediato, de forma eficiente e altamente focada».
Esta gestão integrada dá visibilidade permanente à produtividade, aos materiais utilizados, aos tempos de execução e aos pontos críticos de cada tarefa que a empresa executa.
Além disso, de forma complementar, a RELEVE desenvolveu uma capacidade operacional de geolocalização em constante atualização, que permite ao gestor responsável visualizar os trabalhos no terreno, por categoria.
Assim, é fácil responder a imprevistos, ao minuto. «Se uma instalação falha, o nosso back office avalia o que a equipa tinha agendado, considera os materiais que transporta na viatura e agenda um plano alternativo para que a equipa não fique parada», detalha.
Em suma: «o nosso foco tem de estar na motivação e na produtividade. E a produtividade funciona quando somos muito eficientes», resume João Chaves.
Valorizar a prata da casa
A aposta nas «pessoas certas, nos lugares certos» é outro dos pilares centrais do modelo da RELEVE. Por isso, diz o gerente, a rotatividade dos recursos humanos é «muito baixa». Chaves destaca ainda o foco contínuo na formação profissional e na procura de ferramentas que beneficiem quem faz parte da estrutura.
«Valorizamos muito os nossos colaboradores e estamos empenhados em assegurar que se mantêm dentro do ecossistema da empresa», garante. Há «sempre um plano B para quem nos acrescenta valor», opção que permite reter talento e prolongar as carreiras.
2026: consolidar tecnologia e crescer com parceiros
Para este ano, João Chaves destaca «o foco no ERP», além de concluir o rebranding da marca e «trabalhar com parceiros que valorizam tudo aquilo que entregamos: qualidade, produtividade e rentabilidade».
Ao longo dos próximos meses, a RELEVE irá concluir uma nova instalação e assegurar o abastecimento de gás propano canalizado a um condomínio privado na Quinta do Lago, com 89 residências, entre vários outros projetos em curso.
Falta de espaço industrial trava crescimento em Faro
Um problema que a empresa ainda enfrenta é a dispersão das instalações físicas entre os concelhos de Faro e Olhão, devido à falta de parque industrial na capital algarvia que permita concentrar estruturas num único polo.
«As empresas que cumprem com as suas obrigações a todos os níveis não são apoiadas como deviam. Em Faro não há espaço para logística ou desenvolvimento industrial. Isso trava significativamente a capacidade de crescimento», lamenta.
«O município para o qual contribuímos com emprego estável e pagamento de impostos tem a obrigação de ter um plano de apoio e desenvolvimento à estrutura empresarial que o alimenta», critica o empresário, que já abordou a questão com vários responsáveis autárquicos ao longo dos anos, embora sem sucesso até hoje.
«A indisponibilidade de espaço e a falta de incentivos fiscais são dois dos motivos pelos quais muitas empresas do nosso concelho optam por desenvolver a sua atividade noutros locais, sobretudo em Olhão ou Loulé», reitera.
ADN de pura resiliência
Chaves não esquece o historial de dificuldades que enfrentou no passado e orgulha-se de nunca ter baixado os braços para encontrar soluções e viabilizar a sua empresa.
«Tivemos a capacidade de encontrar os parceiros certos e de fazer escolhas cuidadas, o que nos permitiu estabilizar o barco em plena tempestade», recorda.
«Aprendemos a ser prudentes e pragmáticos e a fazer as escolhas certas. Hoje não há tomadas de decisão por impulso. Queremos, mais que tudo, que as relações com os nossos parceiros perdurem saudáveis, duradouras e rentáveis», conclui.
A RELEVE tem as certificações ISO 9001 (Qualidade) e ISO 14001 (Ambiental). Tem também CERTIF (Gases Fluorados) para o AVAC e é PME Líder 2024.



