«O recinto da FATACIL não pode ficar confinado apenas à realização de um evento. É um espaço amplo e nobre da cidade e não pode ter um aproveitamento de apenas 10 dias por ano», referiu Francisco Martins, presidente da Câmara Francisco Martins, durante a apresentação do projeto, no último dia da edição daquela feira.
«Queremos um espaço que tenha uso os 365 dias do ano. Vamos ganhar zonas de lazer e desporto. A parte onde atualmente se realiza o mercado vai ser incorporada neste recinto. A zona por detrás do campo do grupo desportivo de Lagoa e áreas de cedência também. Será um parque para toda a família», anunciou. «Vamos ter também a ligação em ponte pedonal e ciclável entre a cidade e a EN125».
O futuro Parque Urbano de Lagoa deverá expandir-se por forma a criar um picadeiro maior e com melhores condições para poder receber provas equestres internacionais mas também por forma a criar uma ampla praça de entrada, um novo restaurante, espaços verdes públicos, recinto de eventos e diversos equipamentos desportivos. De acordo com o projeto, a zona do parque será composta por um sistema de praças articuladas com áreas verdes.
«Estamos a falar de um investimento que ronda os sete milhões de euros e uma obra para ser feita entre três ou quatro anos porque não pode ser uma intervenção que ponha em causa nem a realização da FATACIL, nem as finanças da autarquia». O município irá recorrer a fundos europeus para financiar a obra.
O projeto tem vindo a ser desenvolvido há cerca de um ano pelo município lagoense em conjunto com o atelier Depa Architects.

Luís Sobral, um dos três arquitetos responsáveis, explicou que «o município contactou-nos porque o espaço da FATACIL já não cumpre as exigências para o qual foi criado, e sobretudo para devolver este espaço à população».
«A estratégia é fazer deste espaço um parque com zonas de lazer e não um recinto fechado e murado». Criar «um parque que se transforma numa feira e que poderá acolher vários tipos de eventos, mas que não se reduz apenas a isso, e que durante o resto do tempo sirva os cidadãos».
Por sua vez, o arquiteto Carlos Azevedo, explicou que estão pensados «polos essenciais de fixação e atração da população que aliciem as pessoas a virem para o parque e nesse sentido foram criados dois eixos fundamentais. Teremos ainda uma zona com uma área desportiva e que entendemos que devia ser mais permeável à zona urbana e não deve estar segregada. O parque deverá absorver esse equipamento desportivo e ser complementado com outros equipamentos desportivos municipais: o relvado sintético, pista de patinagem, equipamentos de fitness, zonas de sombra e um polo desportivo para a cidade. E por fim a ligação de dois eixos conectados com a EN125, contemplados ainda com ciclovias».
Outra zona chave será o picadeiro municipal que «até agora o não tinha nem as dimensões nem as condições para poder receber competições. No entanto, tem sido bastante claro ao longo destes anos que o sector equestre tem vindo a ganhar um peso cada vez maior na região, e é importante criar condições para que se continue a desenvolver durante todo o ano», frisou o arquiteto Carlos Azevedo.
Lagoa já tem gestão «smart city»
Três operadores monitorizam a nova sala de controlo «Lagoa Smart City», onde um novo sistema de base de dados irá em breve permitir o controlo e gestão de dados em tempo real relacionados com a recolha de resíduos, contadores de água, iluminação pública, parâmetros ambientais e ainda a contagem de banhistas nas praias, nas freguesias de Porches, Carvoeiro, Ferragudo, Estômbar, Mexilhoeira, Parchal e na cidade de Lagoa. A sala de equipamentos custou 150 mil euros à Câmara Municipal e vai permitir, entre outras coisas, «ler a temperatura, humidade, luminosidade, ruído, e a intensidade dos raios ultravioletas através de um género de miniestações meteorológicas», explicou o técnico informático municipal Rui Mesquita. Isto permitirá, por exemplo, «intercalar com as luminárias e ligar ou desligar os candeeiros públicos quando necessário. Também conseguiremos baixar a potência da iluminação caso não haja tráfego e já estamos a substituir lâmpadas incandescentes por LEDs de última geração», revelou o técnico. Na sala será ainda possível saber, por exemplo, «a tonelagem e a rota dos camiões de recolha dos resíduos sólidos urbanos em tempo real».

Relativamente à monitorização dos consumos de eletricidade e de água, o técnico explicou que neste momento, a autarquia está «em processo de aquisição de contadores inteligentes. Permitirão a qualquer instante saber a situação de cada casa. No total, estamos a falar de um universo de 22 mil contadores que deverão ser substituídos. No caso da rede de água, conseguiremos cobrar com mais rigor e precisão, evitando erros de más leituras», explicou. «O sistema até permitirá, se necessário, aumentar ou diminuir a pressão nas tubagens». A implantação de sensores de tráfego permitirão contabilizar a «quantidade de veículos que circulam nas estradas do concelho e a sua respetiva categoria». Toda a informação será pública e poderá ser consultada online.
«Em breve, qualquer pessoa poderá criar uma ocorrência denunciando assim uma anomalia, e acompanhar o estado e resolução da mesma. E quando estiver resolvida será informado da sua conclusão», revelou.
A sala da «Lagoa Smart City» foi apresentada no último dia da FATACIL. Os dados deste novo sistema serão, em breve, disponibilizados no website smartcity.cm-lagoa.pt.