PSD Faro critica o fim do festival Açoteia e acusa a Câmara de Faro de falta de estratégia cultural, após o cancelamento da 5.ª edição.
O Partido Social Democrata (PSD) Faro exigiu explicações ao executivo municipal pelo cancelamento do Açoteia – Faro Rooftop Festival e acusou a Câmara Municipal de falta de estratégia para a Cultura.
A posição foi divulgada esta segunda-feira, dia 6 de julho, em comunicado assinado pelo presidente da Comissão Política Concelhia do PSD Faro, Carlos de Deus Pereira.
Segundo o PSD Faro, a 5.ª edição do festival, prevista para os primeiros dias de julho, não se realizou, apesar de o evento se ter afirmado, desde 2019, como um projeto cultural de valorização do património, da arquitetura e da participação da comunidade.
«O seu fim representa, por isso, muito mais do que o cancelamento de um evento. Representa o abandono de um projeto que deu projeção internacional à cidade», afirma a concelhia social-democrata.
O PSD Faro critica ainda a ausência de explicações públicas por parte do município. O partido refere que, à data em que o festival deveria decorrer, persistia «o silêncio do município, sem qualquer explicação pública dirigida aos farenses, às associações, aos artistas e aos parceiros envolvidos».
De acordo com o comunicado, António Pina reconheceu, durante uma reunião do executivo municipal, após questão colocada pela vereadora do PSD Raquel Ponte, que a Câmara optou por não investir cerca de 200 mil euros na realização do Açoteia.
«Uma decisão desta natureza merecia uma explicação pública que nunca foi dada», considera o PSD Faro.
Para a estrutura concelhia, o cancelamento do festival não é um caso isolado, mas «um sintoma da ausência de uma estratégia cultural para o concelho».
O PSD aponta também a incerteza sobre o futuro da antiga Fábrica da Cerveja e a preocupação do movimento associativo como sinais de descontinuidade face a projetos culturais estruturantes.
O partido critica ainda a opção do executivo municipal de concentrar recursos na promoção da candidatura de Faro ao concurso «7 Novas Maravilhas de Portugal», quando alguns espaços patrimoniais permanecem com acesso limitado à população.
«Mais do que campanhas promocionais e iniciativas pontuais, Faro precisa de uma política cultural que torne o património verdadeiramente acessível, que ausculte o movimento associativo e que assegure a continuidade dos projetos que aproximam os cidadãos da cultura», defende o PSD Faro.
No comunicado lê-se ainda que «Saber Fazer» «não pode resumir-se a um lema de campanha. Exige visão, capacidade de decisão e compromisso com os projetos que valorizam Faro».
«Até agora, o executivo tem revelado precisamente o contrário: descontinuidade, ausência de estratégia e o abandono de iniciativas que levaram anos a construir», acrescenta a nota de imprensa.
Nesse sentido, o PSD Faro insta o executivo municipal a apresentar uma estratégia clara para a Cultura, assente numa visão de longo prazo, no diálogo com o movimento associativo e na valorização dos projetos estruturantes do concelho.
Foto: Açoteia – Faro Rooftop Festival.