Empresas turísticas e guias independentes pedem um plano urgente de gestão dos Sete Vales Suspensos, em Lagoa, devido à degradação ambiental e riscos para visitantes.
Um conjunto de empresas de animação turística e guias turísticos independentes apelou hoje à adoção urgente de um plano integrado de gestão para o Percurso dos Sete Vales Suspensos, no concelho de Lagoa. Em causa, está a crescente degradação daquele que consideram ser um dos mais importantes ativos naturais e turísticos do Algarve.
Em comunicado, enviado hoje às redações, os signatários afirmam que o aumento da procura internacional pelo percurso não foi acompanhado por um modelo de gestão capaz de garantir a conservação ambiental, a segurança dos visitantes e o ordenamento do território.
Segundo as empresas e guias turísticos, são frequentes situações de sobrelotação dos trilhos, circulação desordenada, incluindo de bicicletas e cavalos, estacionamento caótico, acampamento ilegal, comportamentos de risco junto às arribas e algares — nalguns casos por parte de guias sem qualificação para o efeito —, degradação da vegetação, erosão dos solos, acumulação de lixo, incluindo dejetos humanos, e insuficiência de infraestruturas de apoio, como instalações sanitárias.

Os subscritores consideram que esta situação não ameaça apenas o património natural: representa também um risco crescente para a segurança de milhares de visitantes e compromete a qualidade da experiência turística num dos ex-líbris do Algarve, com potenciais consequências para a reputação internacional do destino.
E recordam que têm desenvolvido, diariamente, ações de sensibilização junto dos visitantes para o cumprimento das regras de segurança e de conservação ambiental, mas sublinham que essa responsabilidade não pode continuar a substituir aquilo que deveria ser uma estratégia pública de gestão do espaço.
Os signatários defendem a implementação urgente de um plano integrado que contemple, entre outras medidas, a gestão e monitorização da capacidade de carga do percurso, o reforço da vigilância e fiscalização, o ordenamento e controlo dos acessos e estacionamentos, melhorias na sinalização, informação e infraestruturas de apoio, ações de recuperação dos trilhos e regeneração da vegetação, e programas permanentes de informação e sensibilização ambiental.

Segundo o comunicado, as empresas não defendem restrições ao usufruto do percurso, mas sim uma gestão responsável que permita conciliar a conservação da natureza, a segurança das pessoas e a sustentabilidade da atividade turística.
Por fim, alertam que ignorar os sinais de pressão sobre o território significa aceitar um risco crescente de acidentes e uma perda de qualidade progressiva de um dos principais atrativos naturais do Algarve, e reiteram a disponibilidade para colaborar com autoridades, municípios e entidades gestoras na construção de soluções para o percurso.
O comunicado é subscrito pelas empresas Proactivetur – Turismo Responsável; AlgarvianRoots – Ecotourism Experiences; Pernatur – Percursos na Natureza; Seed Tours – Interact with Nature; A Céu Aberto (Miguel Rodrigues, guia de turismo), e pelos guias de turismo Daniel Martins; GeoWalks & Talks – Geoturismo no Algarve, e Ana Marta Costa.