A produção de azeite ascendeu a 180 mil toneladas em 2024, a segunda maior de sempre, e a de amêndoa atingiu um recorde de 91 mil toneladas.
Estes números consolidam Portugal como o segundo maior produtor da União Europeia, divulgou hoje o INE.
Em contrapartida, segundo as «Estatística Agrícolas 2024» do Instituto Nacional de Estatística (INE), a vindima foi prejudicada por uma «forte pressão de doenças e fenómenos climáticos adversos», tendo registado uma quebra de 8,1% na produção.
De acordo com o instituto estatístico, a segunda maior produção de azeite da série estatística registada no ano passado refletiu «a maturidade do olival intensivo alentejano».
Outros dados do sector agrícola e florestal relativos a 2024
No período em análise do INE, o ano agrícola 2023/2024 foi muito quente e chuvoso, com impactos positivos nas pastagens e forragens, que beneficiaram da humidade, garantindo alimento abundante para o gado.
Os cereais de outono/inverno apresentaram boa produtividade, mas com margens reduzidas. Em contrapartida, o milho registou quebras acentuadas de produtividade e redução de área.
As produções de batata (+10%) e hortícolas (+3,1%) cresceram, apesar de atrasos na instalação das culturas. O tomate para a indústria aumentou em área, mas diminuiu a produtividade.
Maçã e laranja recuperaram do mau ano agrícola anterior, enquanto as produções de pera, kiwi e cereja registaram decréscimos por doenças e fenómenos climáticos adversos.
A produção total de carne situou-se nas 947 mil toneladas, refletindo um acréscimo de 4,8%, quando comparada com 2023. O volume de produtos lácteos diminuiu, sobretudo devido à redução do leite para consumo, que com 622 mil toneladas, foi inferior a 2023 em 6,8%.
O consumo aparente de fertilizantes cresceu 16,6% em 2024, alavancado pelo decréscimo do índice de preços dos fertilizantes (-18,3%). Esta evolução acabou por determinar a evolução pouco favorável do balanço de nutrientes cuja excedência por hectare de SAU aumentou 6,7% no balanço do azoto e 14,5% no balanço de fósforo.
O rendimento da atividade agrícola, em termos reais, por unidade de trabalho ano (UTA), aumentou 14,5%, com o VAB a crescer 7,3%, refletindo uma variação positiva, em volume, da Produção (+4,2%) superior à do Consumo Intermédio (+2,5%). Os índices de preços de produção dos bens agrícolas e dos bens e serviços de consumo corrente na agricultura diminuíram respetivamente 2,7% e 0,4%.
Relativamente ao grau de autoaprovisionamento, o país aumentou a dependência do exterior em cereais, leite e derivados e frutos, com os respetivos graus a fixarem-se em 17,9%, 90,1% e 68,8%, manteve a autossuficiência em arroz e reforçou o aprovisionamento excedentário em vinho e azeite.
O défice da balança comercial dos Produtos agrícolas e agroalimentares (exceto bebidas) atingiu 5 170,0 milhões de euros em 2024, desagravando em 421,4 milhões de euros face ao ano anterior. Esta evolução favorável resultou de um aumento das exportações (+676,7 milhões de euros) superior ao das importações (+255,3 milhões de euros) deste tipo de produtos.
A indústria alimentar continua a ser a principal atividade da produção industrial nacional com 16,2% do total das vendas em 2024 (16,6% em 2023), registando um valor de faturação de 16,7 mil milhões de euros.
No sector florestal, o número de incêndios rurais (6 293) foi o menor dos últimos 20 anos, mas em contrapartida a área ardida (137,7 mil hectares no Continente e 5,2 mil hectares na Madeira), coloca 2024 como o terceiro ano mais severo da última década.
O saldo da balança comercial dos Produtos do sector florestal aumentou para 3 063,7 milhões de euros, traduzindo uma evolução positiva de 180,5 milhões de euros face ao ano anterior.
Foto: AICEP