Portugal e Espanha firmam hoje uma «aliança climática» na cimeira de Huelva, encontro que reúne 18 ministros e prevê assinatura de acordos bilaterais.
A 36.ª Cimeira Luso-Espanhola reúne hoje em Huelva os chefes de Governo português e espanhol, Luís Montenegro e Pedro Sánchez, acompanhados por 18 ministros — sete portugueses e 11 espanhóis —, num encontro que pretende lançar uma «aliança pela segurança climática».
Durante a reunião está prevista a assinatura de cerca de uma dezena de instrumentos bilaterais em áreas como ambiente, proteção civil, saúde, cibersegurança, inclusão social e proteção dos consumidores.
O tema central da cimeira é a segurança climática. Segundo fontes dos dois executivos, Portugal e Espanha vão procurar reforçar a cooperação na adaptação às alterações climáticas e na competitividade das duas economias.
Entre os documentos a assinar destaca-se um memorando de entendimento em matéria de proteção civil e emergências, destinado a desenvolver cooperação na avaliação de riscos transfronteiriços, no planeamento de emergência e na articulação entre as Plataformas Nacionais para a Redução do Risco de Catástrofes.
Além da declaração final conjunta dos dois Governos, habitual nestas cimeiras, será também divulgada uma declaração específica dos ministérios do Ambiente dedicada à «luta contra as alterações climáticas», que o executivo espanhol descreve como o «elemento estrela» do encontro.
A cimeira decorre após meses marcados por grandes incêndios e tempestades na Península Ibérica.
O encontro realiza-se no Mosteiro de Santa María de la Rábida e na Universidade Internacional da Andaluzia, em Huelva, no sul de Espanha.
Pedro Sánchez recebe Luís Montenegro com honras militares às 11h00 locais (10h00 em Lisboa). Segue-se um minuto de silêncio em memória das vítimas do acidente ferroviário ocorrido em Espanha em 18 de janeiro, que causou 46 mortos, a maioria residentes em Huelva.
Após a apresentação das duas delegações e a fotografia oficial da cimeira, os dois chefes de Governo assinam o livro de honra do Mosteiro de Santa María de la Rábida.
Seguem-se reuniões bilaterais e, posteriormente, a cerimónia de assinatura dos acordos e a conferência de imprensa conjunta de Montenegro e Sánchez, ainda antes da sessão plenária com os dois primeiros-ministros e os 18 ministros das delegações.
Apesar de a agenda da cimeira estar centrada nas alterações climáticas, o Governo espanhol admite que a situação geopolítica internacional — marcada pela nova guerra no Médio Oriente — poderá influenciar o encontro bilateral entre os dois líderes.
Montenegro e Sánchez voltarão a reunir-se em 19 e 20 de março no Conselho Europeu.
Pedro Sánchez condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão. O líder espanhol recusou também a utilização de bases militares em território espanhol pelos norte-americanos para essas operações. Em resposta, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou Espanha com represálias.
O Governo português concedeu uma «autorização condicionada» ao uso da base das Lajes, nos Açores, já depois do início do ataque. Luís Montenegro afirmou que «Portugal não acompanhou, não subscreveu e não esteve envolvido nessa ação militar», mas salientou que o país está mais próximo do seu aliado norte-americano do que do Irão.
Questionado no parlamento sobre se se solidarizava com a posição de Espanha após as ameaças norte-americanas, o primeiro-ministro português evitou responder diretamente, afirmando não querer «comentar o posicionamento de outros Estados». Ainda assim, recordou que Portugal «é um país fundador da NATO» — aderiu em 1949 — enquanto Espanha «só aderiu em 1982».
A anterior Cimeira Luso-Espanhola realizou-se em 23 de outubro de 2024, em Faro, sob o tema «Água, um bem comum», tendo resultado na assinatura de 11 acordos.
Foto: Bruno Filipe Pires