Os portos do continente movimentaram 7,47 milhões de toneladas em janeiro, menos 15.900 toneladas do que no período homólogo.
Ou seja, um recuo de 0,2 por cento, anunciou a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).
«Os portos do continente registaram em janeiro de 2021 um volume total de carga de 7,47 milhões de toneladas, uma quebra de -15,9 mil toneladas face a janeiro de 2020, corresponde a um ligeiro recuo de -0,2 por cento», indicou, em comunicado, a AMT.
Em janeiro, os únicos mercados que registaram um comportamento negativo foram os energéticos, do carvão, petróleo bruto e produtos petrolíferos, representando, no total, um recuo de 23 por cento.
No sentido inverso, entre os mercados com comportamento positivos, destacam-se os que integram a classe de carga geral, com uma subida de 18,8 por cento, sendo responsáveis por 49,3 por cento do mercado total.
A evolução nos mercados de cargas levou a «variações positivas» em Aveiro, Setúbal, Faro e Sines, destacando-se o último porto com mais 450,6 mil toneladas do que em janeiro de 2020, ou seja, com uma subida de 11,9 por cento.
Leixões destaca-se entre os portos com comportamento negativo, penalizado por não ter realizado operações de desembarque de petróleo bruto e por ver reduzido o movimento de produtos petrolíferos em 31,2 por cento em comparação com o período homólogo.
No primeiro mês de 2021, Sines liderou no mercado de movimentação de carga em termos de tonelagem, com uma quota de 56,5 por cento, «a mais elevada de sempre nos meses homólogos», 6,1 pontos percentuais (pp) acima daquela detida no mês homólogo de 2020.
Segue-se o porto de Leixões com 16,5 por cento, menos 7,4 pp face à de janeiro de 2020, Lisboa, com menos 0,1 pp para 10,5 por cento, Aveiro, que sobe 0,9 pp para 7,3 por cento, a mais elevada de sempre, Setúbal, que avança 0,7 pp para 6,6 por cento e Figueira da Foz, que perde 0,2 pp para 2 por cento.
Por sua vez, Viana do Castelo e Faro têm, respetivamente, 0,4 por cento e 0,1 por cento do total, enquanto Portimão não registou qualquer movimento de carga.
O movimento de segmento de contentores cresceu, em janeiro, 37,5 mil TEU (medida padrão utilizada para calcular o volume dos contentores) face ao mesmo mês de 2020, o que corresponde a 17,1 por cento.
Este valor reflete, sobretudo, o movimento do porto de Sines, que aumentou 38,1 mil TEU, traduzindo um acréscimo de 30,9 por cento.
Setúbal e Figueira da Foz, por seu turno, totalizaram ganhos de 29,9 por cento e de 32 por cento.
«O impacto induzido por estes portos foi atenuado pelo registo positivo de Leixões de +0,1 por cento (+61 TEU) e contrariado pelo registo negativo de Lisboa, de -12,9 por cento, correspondente a quase -4 mil TEU», apontou.
Sines atingiu uma quota de 62,7 por cento no primeiro mês do ano, a mais elevada de sempre apurada nos meses de janeiro, seguido por Leixões (21,3 por cento), Lisboa (10,5 por cento), Setúbal (4,8 por cento) e Figueira da Foz (0,7 por cento).
No que concerne ao movimento dos navios, em janeiro, os portos do continente registaram um decréscimo de 66 escalas, face ao mesmo mês de 2020, para 802.
Para esta redução «contribuiu a maioria dos portos», com exceção de Aveiro e Viana do Castelo, que somaram, respetivamente, mais nove e mais duas escalas.
Lisboa foi o porto que, neste período, teve uma diminuição «mais acentuada» com menos 60 navios, seguindo-se Douro e Leixões (-12) e Sines (-2).
«É de salientar que o efeito das medidas de combate à pandemia de COVID-19 se fez sentir, quer ao nível dos navios de carga, nomeadamente de transporte de petróleo e de produtos petrolíferos, quer ao nível dos navios de cruzeiro, que afetam em especial o porto de Lisboa», referiu.
O mais elevado número de escalas verificou-se nos portos do Douro e Leixões, que detêm uma quota de 26,2 por cento, seguidos por Sines (21,1 por cento), Lisboa (16,8 por cento), Setúbal (16,2 por cento), Aveiro (12,5 por cento) e Figueira da Foz (4,9 por cento).
No mês em causa, o comportamento dos portos do continente ao nível dos embarques foi «fortemente influenciado» pelo mercado da carga contentorizada em Sines, onde se registou um volume superior ao mês homólogo com mais 32,7 por cento, seguido pelos outros granéis sólidos em Lisboa, com mais 90,9 mil toneladas, e da carga contentorizada em Setúbal, com 47,2 mil toneladas.
As variações negativas foram mais acentuadas no mercado de produtos petrolíferos em Leixões, com menos 65,7 por cento.
Quanto às operações de desembarque de carga, destaca-se o impacto negativo do mercado de petróleo bruto em Leixões, «cujo movimento foi nulo», tendo perdido assim as 474,9 mil toneladas movimentadas em janeiro de 2020.
Esta diminuição representa 58,1 por cento do total das variações negativas.
Em segundo lugar surge o mercado do petróleo bruto em Sines, que perde 10,5 por cento, seguido pelos produtos petrolíferos em Lisboa (-58,9 por cento).
Com comportamento positivo destaca-se o mercado de carga contentorizada em Sines, cujo movimento excedeu o do mês homólogo em 40,4 por cento.
Porém, apesar do volume de carga desembarcada ser superior ao da embarcada em 28,7 por cento, em alguns portos verificou-se uma situação inversa, nomeadamente, Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro, «cujos rácios calculados entre o volume de carga embarcada e o volume total de carga movimentada, assumem, respetivamente, os valores percentuais de 70,9 por cento, 76,7 por cento, 57,4 por cento e 100 por cento».