As típicas chaminés de Porches são originais, coloridas e antiquíssimas. «Vale a pena passear pelas ruas da vila e admirar os telhados antigos e chaminés. Cada uma era mandada construir de acordo com a riqueza da família. O mestre perguntava sempre em quantos dias queria que a chaminé fosse feita. Consoante os dias de trabalho, mais cara, maior e mais ornamentada seria», explica Luís Bentes, presidente da Junta de Freguesia de Porches. Hoje em dia já não há mestres que as façam.
Uma das mais emblemáticas encontra-se sob a Casa Museu, na Rua da Chaminé. Possui uma torre de menagem, uma roda com raios e uma figura humana. Data de 1793. Bentes revelou em exclusivo ao «barlavento» que, em breve, esta Casa Museu estará aberta ao público. No seu interior, poderá observar-se a chaminé de uma outra perspetiva, assim como admirar um relógio de sol em pedra, alfaias e outros objetos das lides agrícolas.
Na Travessa do Correio encontra-se outra, do século XVIII, com quatro faces. Destaque ainda para a chaminé do restaurante Leão de Porches, instalada num impressionante edifício recuperado do século XVIII. Aqui encontramos um leão coroado com folhas de videira. Diz a lenda, que há muitos anos apareceu na vila um leão bebé, e que terá sido criado com a família desta casa.
Outro facto interessante e pouco conhecido é que no interior da capela do Forte de Nossa Senhora da Rocha, por debaixo do altar, existe um género de passagem que liga por dezenas de metros a capela ao mar. Apesar desta se encontrar permanentemente fechada, o «buraco» foi vedado por questões de segurança.
Também poucos sabem que existiu em tempos um castelo medieval em Porches. José Bentes lamenta o desinteresse que existe em explorar-se património tão importante: «ainda há muito por estudar e descobrir». Para já, a autarquia está finalizar o website que servirá de apoio aos percursos, que será apresentado muito em breve. Bentes avançou ao «barlavento» que os roteiros contemplarão cinco zonas: Porches, Porches Velhos, Crestos, Senhora da Rocha e Sobral de Cima.
Olaria, uma tradição renovada
Mas apesar do suporte ainda não estar disponível, há outro motivo interessante para visitar esta vila do concelho de Lagoa. Depois de entrar em declínio, a tradição oleira foi recuperada em finais dos anos 1960 pelo artista irlandês Patrick Swift e por Lima de Freitas, ao fundarem a Olaria Algarvia. Hoje, Juilet Swift, 56 anos, é quem atende os que lhe entram pela porta atraídos pela curiosidade. Ela e a irmã Estella, 46 anos, ambas formadas em Artes, decidiram dar continuidade ao trabalho iniciado pelo pai. E assim será durante três gerações, visto que o filho de Juilet também já se estreou no ramo. Numa outra bancada desta loja, Maria Eulália, 58 anos, pinta cuidadosamente uma peça de barro que será depois vidrada. «Há 25 anos que aqui trabalho e gosto muito. Pinto, atendo os clientes, faço de tudo um pouco», diz.
Ali perto, sob o comando do escocês Ian Fitzpatrick, 60 anos, a Olaria Pequena está instalada num casario secular. Formado em Artes, Fitzpatrick veio para o Algarve há 34 anos. Decidiu dedicar-se à tradição oleira local. Juntamente com Marco Correia, é o autor de todos os artigos em exposição. «Cada peça é feita e pintada à mão. Não existem duas iguais», lê-se entrada. Caberá a si descobrir se é verdade, da próxima vez que por aqui passar.