A Assembleia Municipal extraordinária para esclarecimento sobre as implicações decorrentes da operação urbanística a levar a cabo pelo grupo Pestana, até já estava marcada para a sexta-feira passada. Tinha sido requerida pela coligação Servir Portimão. No entanto, as obras do passadiço previstas no Plano de Requalificação da Frente de Mar de Alvor-Três Irmãos, elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) lançaram a confusão, após a demolição da rotunda. Aliás, tal como o «barlavento» tinha noticiado no início de fevereiro, este é um plano de 2008, que só agora está a ser finalizado. A primeira fase foi construída na Ria de Alvor.
Em entrevista ao «barlavento» já após a Assembleia Municipal, Pedro Lopes, administrador do grupo Pestana explicou as intenções da empresa e a razão pela qual será esta a elaborar o Plano de Pormenor, quando costuma ser a Câmara Municipal. Aliás, esta foi uma das críticas mais apontadas pelos partidos da oposição na autarquia de Portimão.
«Toda a zona da Torralta foi concebida nos anos 1960 e existe apenas um alvará de 1967. O conceito já mudou. Existe aqui uma área muito extensa», com espaços do grupo, de privados, públicos e camarários, «que já merecia um masterplan», justificou. Durante quase 50 anos, os sucessivos executivos não tomaram as medidas necessárias, através da elaboração de um PP, para ordenar, definir e delimitar o espaço. A Torralta faliu no final dos anos 1980, princípio de 1990, e o grupo Pestana começou a investir nesta zona há vinte anos. Na verdade, «esta zona toda foi parar ao banco e o que era para ter sido entregue à Câmara Municipal, as estradas, os caminhos para a praia, os caminhos públicos, nunca foi entregue. Se calhar, também as torres da Torralta acabaram por ocupar os vazios que viram à volta e tudo isto está desorganizado», esclareceu Pedro Lopes. «A Torralta morreu e a Câmara não disse vamos resolver isto. Dá muito trabalho e nunca ninguém teve essa coragem. Este executivo connosco teve essa coragem», considerou. Ao «barlavento», Pedro Lopes mostrou o que poderá mudar, pois segundo este administrador ainda nada está fechado, nem o PP sequer está elaborado. Após ser feito o projeto, o documento terá que ser sujeito a pareceres das entidades, aprovado nas autarquias e sujeito a discussão pública. Para já, existem intenções.
João II e vilas
O D. João II foi renovado há poucos anos, mas há alguns pequenos imóveis antigos que necessitam apenas de obras. As vilas são uma herança do antigo complexo da Torralta, construídas nos anos 1960. Apenas três são de particulares, vendidas antes da falência daquela empresa. Cada uma tem um artigo urbano. O grupo Pestana pretende «juntar as vilas ao hotel D. João», para que façam parte da unidade hoteleira a nível legal. O grupo poderia vendê-las a particulares, mas a ideia é renová-las e criar uma oferta diferente, para clientes que gostam de ficar alojados numa casa com cozinha e quartos. Nesta zona, o restaurante «A Cabana, junto à praia, seria demolido, obra que já estava prevista no Plano de Requalificação da Frente Mar Alvor-Três Irmãos». O local seria renaturalizado e, «parte desta área, seria aproveitada para fazer um segundo piso nalgumas das vilas que só têm um piso». A intenção é recuperar as cerca de 30 vilas, formalizando também a passagem para a praia no interior do complexo e junto ao restaurante, constituindo uma passagem de direito público.
Grupo Pestana aberto a ideias
O terreno com seis hectares perto do Estádio de Alvor, era de um banco, que ficou com o espólio da Torralta, tendo sido adquirido pelo grupo Pestana. No Plano de Requalificação de Frente de Mar estava previsto um parque temático alusivo aos oceanos. A última ideia em cima da mesa foi um contributo do presidente da Junta de Freguesia de Alvor, mas a Câmara Municipal é que terá a palavra final. O tema também irá a discussão pública quando o Plano de Pormenor estiver elaborado, pois para já apenas há intenções. «O mercado de Alvor está a ficar muito apertado» para as necessidades, por isso uma das ideias do autarca de Alvor seria «passar para esta zona o Mercado, chamando população e turistas, fazendo algo ao género do Mercado de Campo de Ourique, adaptado à realidade de Alvor», explicou Pedro Lopes. O conceito teria pequenos bares ou restaurante. O terreno será entregue à Câmara Municipal para que seja implementado um projeto, seja o mercado ou outro qualquer.
Plano de Requalificação da Frente de Mar
O plano elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente data de 2008 e prevê a construção de um passadiço, em três fases, com seis quilómetros. Liga as praias de Alvor e dos Três Irmãos, como o «barlavento» já tinha noticiado em fevereiro. A última intervenção seria na zona do novo hotel do grupo Pestana, sendo a rotunda colocada a uma distância de cerca de 40 metros, pois o passadiço passaria no local onde estava a antiga rotunda. Também na praia dos Três Irmãos será requalificado o espaço junto ao passadiço e aos restaurantes existentes para acabar de vez com o pó, no verão, e a lama, no inverno, naquela que tem sido uma das queixas recorrentes dos proprietários dos restaurantes.
817 lugares de estacionamento
Os lugares de estacionamento provisório serão, segundo Pedro Lopes, provisórios até que o Plano de Pormenor seja aprovado. O grupo cederá dois espaços junto ao hotel Luna Bay, um de cada lado, para implementar um parque com 612 lugares e um segundo com 205. Estes estacionamentos, após a elaboração do Plano de Pormenor desta zona, serão cedidos à Câmara Municipal de Portimão, havendo já a garantia da presidente da autarquia Isilda Gomes de que serão grátis, esclareceu Pedro Lopes.
No plano de requalificação da Frente de Mar, no início, em 2008, estava previsto um parque com 500 lugares naquela zona e, um segundo da responsabilidade da Câmara Municipal de Portimão. Seria ampliado o parque junto ao Estádio, que de 400 lugares passaria a 960.Também junto ao Delfim estava previsto o grupo NG, que iria construir um hotel (Plano de Pormenor Quinta da Praia), criar um estacionamento, bem como requalificar o acesso entre as praias de Alvor e três Irmãos. A sul seriam criados passeios e a norte uma ciclovia, mas até aqui o grupo NH não começou qualquer projeto no terreno.
Apoio de praia nasce junto à nova rotunda
O apoio de praia em frente ao hotel Pestana Alvor South Beach foi entretanto demolido, mas será instalado um novo perto da nova rotunda que será mudada de lugar. O apoio sempre foi do grupo e será construído segundo as regras do Plano de Ordenamento da Orla Costeira, tal como os outros que existem na envolvente, afirmou o administrador do grupo Pestana Pedro Lopes. Será diferente, pois terá «um conceito mais gourmet, mais regional, com peixe, marisco, cataplanas, grelhados. Complementará o leque de bons restaurantes que já existem nesta praia».
Hotel Alvor
A intenção do grupo Pestana, segundo contou ao «barlavento» o administrador Pedro Lopes, é fazer obras de ampliação. É um investimento de seis milhões de euros para colocar o hotel, construído na década de 1960, em condições. Algumas obras de requalificação já está a ser feitas, mas o grupo pretende ainda fazer uma ampliação de um dos edifícios do complexo hoteleiro. A unidade principal tem cinxo pisos, enquanto o imóvel ao lado tem dois. «Gostaríamos de fazer mais dois pisos, com suites. Não vamos aumentar a impermeabilização do solo», afirmou. O mini-golfe existente passaria a ser uma pequena piscina para casais e a zona envolvente seria melhorada.
Hotel Delfim
Na unidade hoteleira, que data dos anos 1970, a intenção seria ajardinar a envolvente, transformar os campos de ténis em cimento numa segunda piscina para crianças, com escorregas, apenas «com dois ou três palmos de água», pois tem sido um pedido frequente dos hóspedes. No interior, a ideia é renovar áreas em desuso, como as lavandarias e armazéns de stock alimentar, adaptando-as para espaços como Spa, ginásio, quatro ou cinco suites, exemplifica o administrador Pedro Lopes. É um investimento de volume, mas que ainda não está quantificado.
Pestana Alvor South Beach
A mais recente coqueluche do grupo Pestana em Alvor veio substituir um imóvel inacabado e devoluto, herança da antiga Torralta, que previa espaços comuns como restaurante e bar, mas também duas torres de oito pisos. Agora, a ideia, segundo Pedro Lopes, seria ampliar o hotel no terreno a norte, onde está o pequeno estacionamento, para de acordo com o Plano Diretor Municipal fazer cerca de 70/80 camas, em dois pisos e seguindo o mesmo conceito que o novo imóvel. A poente do South Beach, e perto do antigo apoio de praia do grupo, entretanto demolido, o grupo poderá vir a criar «bungalows sobrelevados, ligados por passadiços, com um conceito semelhantes às Maldivas, direcionado para os mais jovens»,. A diferença é que em vez de água, haverá areia. O conceito ainda está a ser estudado e ficaria na zona do areal, classificada como artigo urbano.