Na Escola EB 2,3 Júdice Fialho, o espírito de curiosidade científica e de cidadania ativa materializa-se através do seu Clube Ciência Viva na Escola, «Pequenos Cientistas, Grandes Cidadãos».
Aberto a todos os alunos da escola, este é um espaço de experimentação e partilha, com duas sessões semanais. Aqui desenvolvem-se atividades laboratoriais e científicas — muitas delas propostas pelos próprios alunos. É uma forma de promover a autonomia, o pensamento crítico e a criatividade, refere a professora Cátia Cardoso, coordenadora do Clube, que trabalha neste projeto com mais quatro colegas.
Uma das características diferenciadoras do Clube é a ponte que cria com o Jardim de Infância do agrupamento. Todas as semanas, uma turma do pré-escolar visita o Clube, e são os alunos que assumem o papel de monitores. A eles cabe a missão de conduzir as sessões com os mini cientistas de palmo e meio. Este ciclo de aprendizagem intergeracional culmina anualmente no evento «Dias da Ciência, Cultura e Desporto», durante o qual os laboratórios da escola se abrem à comunidade para dois dias de ciência em ação.
A Beatriz e o Artur foram dos primeiros alunos do clube «Pequenos Cientistas, Grandes Cidadãos». Iniciaram a sua participação no 7.º ano e agora, já na transição para o secundário, querem continuar a participar voluntariamente. Para a Beatriz, «o melhor é que aqui no clube ninguém tem medo de errar. Se uma experiência corre mal, tentamos outra vez. Os professores ajudam, mas somos nós que fazemos tudo. Aprendemos com os erros, com os sucessos… e com muitas gargalhadas!».
A Beatriz é uma jovem apaixonada, muito entusiasmada e bastante comunicativa. Quando fala do Clube, fala de uma forma de pertença. Explica-nos como sente que faz parte deste projeto: «…fui uma das primeiras e, desde então, as minhas tardes de quarta-feira nunca mais foram as mesmas! No nosso clube, exploramos o mundo da Química de forma super divertida. Aprendemos, rimos, erramos e tentamos de novo. A Ciência (Química) deixou de ser só livros — agora é mãos na massa e olhos bem abertos! …».
Já o Artur revela-se mais ponderado, um aluno muito determinado e tranquilo, e explica: «…já fizemos experiências para aprender sobre misturas e soluções, separámos substâncias com papel de filtro e até criámos cristais coloridos. O mais fixe é que os professores deixam-nos experimentar por nós próprios — claro, sempre com segurança!».
O Clube «Pequenos Cientistas, Grandes Cidadãos» conta com o apoio de várias entidades locais e regionais, entre as quais se destacam a EMARP, a Associação A ROCHA, o Zoomarine, o Centro Ciência Viva de Lagos, o município de Portimão, entre muitas outras. O Artur partilhou como foram importantes as parcerias: «…e também recebemos visitas de cientistas, fazemos saídas de campo e até fomos ao laboratório de uma universidade! Foi fixe ver como aquilo que fazemos na escola tem ligação com o mundo real». São estas experiências que enriquecem as atividades do Clube e contribuem para o crescimento destes alunos.
As parcerias têm um papel fundamental nas atividades realizadas. A maioria está ligada à sustentabilidade, à descoberta de habitats, aos microplásticos, aos polinizadores, à robótica e à programação. A título de exemplo, a colaboração com a Associação A ROCHA permitiu realizar inúmeras saídas de campo, bem como atividades exploratórias nas imediações da escola, tendo todos os alunos do Agrupamento a oportunidade de vivenciar esta experiência. Para um final em grande, o Zoomarine permitiu que os alunos visitassem este parque temático, e as atividades do Clube terminaram em grande com um acampamento na escola.
Também o Centro Ciência Viva de Lagos tem sido um parceiro-chave. Para além dos encontros regionais, que permitiram a partilha e discussão entre colegas dos vários Clubes Ciência Viva da região, o Centro tem desenvolvido um conjunto de atividades de formação de docentes na área da robótica para o pré-escolar e na área da astronomia — áreas que o Clube quer desenvolver já no próximo ano letivo.
O Clube «Pequenos Cientistas, Grandes Cidadãos» é um dos clubes financiados ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Este projeto terminou em setembro de 2025, mas a coordenadora acredita que o Clube terá continuidade com as atividades já iniciadas, nem que seja em contexto curricular, esperando que seja uma aposta estratégica da direção da escola e do Agrupamento manter o projeto. É com muito carinho que deseja que a parceria com o Jardim de Infância continue: esses momentos de partilha entre pares, com alunos mais crescidos a dinamizar atividades com os mais pequenos, revelaram-se dos momentos mais gratificantes de todo o projeto. Foi uma forma de alcançar os objetivos definidos.
E, como diz o Artur: «No clube, aprendemos que, mesmo sendo jovens, podemos ter ideias, fazer escolhas conscientes e ajudar a construir um futuro melhor». Já para a Beatriz, «a ciência ajudou-a a perceber o planeta, a natureza, a saúde, a reciclagem, a energia… tudo o que está ligado à nossa vida e à das outras pessoas».
Clubes Ciência Viva na Escola
O projeto «Clubes Ciência Viva na Escola» foi criado em 2018, numa parceria entre a DGE (Direção-Geral da Educação) e a Ciência Viva, com o objetivo de contribuir para a literacia científica dos alunos e da comunidade educativa. Estes Clubes transformam as escolas em espaços vivos e curiosos, onde todos podem explorar o mundo da ciência e da tecnologia de forma divertida e prática. Os alunos experimentam, descobrem e aprendem «fazendo», enquanto desenvolvem o gosto pela investigação e pelo saber. Tudo acontece graças a parcerias com universidades, centros de investigação, museus, empresas e muitas outras entidades, que ajudam a levar a ciência além da sala de aula e a aproximar a escola da comunidade.
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Este artigo foi realizado no âmbito do projeto SPARC – Sinergias Proativas para Aprendizagem e Requalificação em STEAM, do Centro Ciência Viva de Lagos, ao abrigo do programa de Monitorização dos Clubes Ciência Viva na Escola, financiado pelo Mecanismo de Recuperação e Resiliência da Comissão Europeia – PRR Portugal – Programa Impulso Jovens STEAM.