O PCP recomendou hoje ao governo que classifique a obra do músico Adriano Correia de Oliveira como de interesse nacional, enaltecendo «um dos autores mais sonantes da música de intervenção portuguesa e da canção de Coimbra».
No projeto de resolução – que serve de recomendação ao governo e não tem força de lei , o Partido Comunista Portugueês (PCP) refere que Adriano Correia de Oliveira «nasceu em 1942 no Porto e mudou-se com os pais para Avintes, terra que se tornou sua e a que manteve uma profunda ligação».
«Desde muito cedo que a música teve um papel importante na sua vida. Em Avintes criou, em conjunto com outros jovens, a União Académica de Avintes. Em Coimbra, onde frequentou o curso de Direito, tornou-se o primeiro tenor no Orfeão Académico do Coimbra», refere o partido, que acrescenta que o músico aderiu ao PCP em 1960 e foi militante do partido até ao fim da sua vida.
O PCP frisa que o músico «viveu na ditadura e a ela resistiu, como se pode testemunhar pela sua vida e obra, participando em várias ações de luta e acompanhando os movimentos revolucionários que combateram o fascismo».
«A sua obra gravada contém 19 ‘singles’ e oito álbuns, tendo sido editados postumamente mais dois álbuns. Divulgou um conjunto alargado de poetas portugueses e galegos: Manuel Alegre, Manuel da Fonseca, António Gedeão, Urbano Tavares Rodrigues, António Aleixo, Rosalia de Castro e Curros Henriquez, entre outros», refere o PCP, que elenca a obra de Adriano Correia de Oliveira, que inclui canções como «Trova do Vento que Passa», «Canção com Lágrimas» ou «Tejo que levas as águas».
O PCP frisa ainda que, antes do 25 de Abril, a 29 de março de 1974, «Adriano participou no I Festival da Canção Portuguesa no Coliseu dos Recreios, que contou com nomes como José Afonso, Carlos Alberto Moniz, Fausto, Fernando Tordo, José Barata Moura, José Jorge Letria, Manuel Freire, o poeta José Carlos Ary dos Santos, o grupo Intróito, Vitorino, Carlos Paredes, entre outros».
«Já em liberdade, Adriano organizou e participou em centenas de iniciativas, sendo um dos fundadores do Coletiva de Ação Cultural», destaca o partido, que refere que, a título póstumo, o músico foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
O partido destaca que Adriano Correia de Oliveira «é considerado um dos autores mais sonantes da música de intervenção portuguesa e da canção de Coimbra».
«Tendo falecido no dia 16 de outubro de 1982, os seus 40 anos de vida foram um exemplo de luta pela liberdade e pela democracia e também por este motivo se justifica que a sua obra seja devidamente reconhecida, valorizada, consolidada e difundida», defende-se.
O partido salienta ainda que, em 1995, em Avintes, foi criado o Centro Artístico, Cultural e Desportivo Adriano Correia de Oliveira, que promoveu uma petição que solicita a classificação da obra do músico como sendo de interesse nacional, por entender que «Adriano cantou Abril como poucos e deixou um legado como ninguém».
«A classificação da obra de Adriano seria um passo essencial para a valorização, consolidação e difusão do seu legado, elevando a obra ao patamar que ele merece, sendo também e sobretudo um passo essencial para o seu conhecimento por parte da novas gerações», lê-se na petição em questão, citada no projeto de resolução do PCP.
O PCP recomenda assim ao governo que classifique a obra de Adriano Correia de Oliveira como sendo de interesse nacional, ao abrigo da lei que estabelece as bases da política e do regime de proteção e valorização do património cultural.
De acordo com essa lei, «um bem considera-se de interesse nacional quando a respetiva proteção e valorização, no todo ou em parte, represente um valor cultural de significado para a nação».
«Todo o bem classificado como de interesse nacional fica submetido a uma especial tutela do Estado», estipula a legislação, que estabelece que «a classificação de um bem como de interesse nacional reveste a forma de decreto do governo».