O Movimento Associativo de Pais do Algarve (MAP) diz que o relatório nacional PISA 2022 mostra o «preocupante» estado da Educação na região.
O Movimento Associativo de Pais (MAP) do Algarve, que reúne um conjunto substancial de associações de pais da região algarvia, está preocupado com os resultados do relatório PISA 2022 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
«Em pleno século XXI e na era digital, em que se presumiria ser um tempo de avanço, progresso e com mais recursos para podermos obter resultados muito melhores que os anteriormente alcançados. Os dados apresentados no relatório trazem à evidência uma situação pior do que a que se verificava em 2018», compara o movimento, em nota enviada às redações.
«É com muita apreensão que constatamos que a educação, claramente, não tem sido entendida como prioridade pois, só assim, se pode justificar os resultados que o PISA revela. Reconhecendo que um dos principais indicadores de desenvolvimento de um país é a educação vemos, com tristeza, que a nossa, fruto de desinvestimento por parte da tutela, se encontra claramente enfraquecida, com preocupação acrescida pelos resultados alcançados pelos alunos algarvios», diz ainda o MAP.
«As crianças e jovens do Algarve merecem muito mais. A educação é onde tudo começa e, por isso, reconhecendo a importância que representamos para a concretização efetiva do processo educativo, não nos demitimos do nosso papel e certamente não podemos ficar inertes. Esta é uma causa que tem que mobilizar todos e, por isso, se não nos podemos demitir do nosso papel, também as escolas, agrupamentos e municípios não se podem demitir do seu devendo assumir com responsabilidade a sua função, determinante para que esta realidade seja alterada».
Assim, o Movimento Associativo de Pais (e o MAP Algarve em particular) diz que «não é possível ler e analisar o último Relatório Nacional PISA 2022, e ficarmos satisfeitos com o que nele está descrito sobre a educação nacional em geral e na região do Algarve em particular. Numa altura que deveria ser de consolidação das aprendizagens devido ao retrocesso provocado pelo COVID-19 e no ano letivo anterior pelas inúmeras greves que tanto prejudicaram as escolas da região algarvia, olhamos para o relatório supracitado e verificamos que a escola portuguesa está pior que no relatório de 2018, e, segundo o mesmo não se pode nem deve apontar como causa disso mesmo a pandemia e as greves acima referidas».
Cabe-nos olhar com preocupação para os dados apresentados» que se devem a vários fatores, «desde a falta de docentes em várias escolas, à falta de técnicos especializados e técnicos auxiliares, o que confirma o desinvestimento por parte da tutela na educação»
Resultados Gerais
Os alunos portugueses, a par da média da OCDE, obtiveram 472 pontos a literacia matemática em 2022, menos 21 pontos significativos face ao ciclo de 2018 e menos 15 pontos significativos relativamente a 2012, ano em que a matemática foi o domínio principal de avaliação.
No que às ciências diz respeito, os alunos portugueses obtiveram 484 pontos a literacia científica, um ponto abaixo da média da OCDE (485 pontos), o que corresponde a uma descida de 17 pontos significativos em relação a 2015 (último ciclo em que as ciências foram o domínio principal) e de 7 pontos relativamente a 2018.
No que toca à leitura, os alunos portugueses obtiveram 477 pontos a literacia de leitura, um ponto acima da média da OCDE (476 pontos), o que corresponde a uma descida de 15 pontos significativos em relação a 2018, de 13 pontos significativos relativamente a 2009 e a um aumento de seis pontos não significativos face ao primeiro ciclo do PISA (2000), anos em que a leitura foi o domínio principal.
Causas dos Resultados
Segundo o MAP, «na região algarvia, pelo que vai chegando às nossas associações de pais por parte dos encarregados de educação, muitos queixam-se da falta de motivação por parte da classe docente, devido à falta de chegada a acordo com o Ministério da Educação e os seus sindicatos para a melhoria da sua classe e no que diz respeito aos apoios que muitos dos nossos alunos necessitam, à falta de técnicos especializados na área da psicologia e do devido acompanhamento por parte técnicos de educação especial, tendo em conta que nos localizamos numa região que vive essencialmente do Turismo que é de elevada forma sazonal, sendo muitos dos encarregados de educação trabalhadores da área do Turismo e da restauração, e, que no inverno ficam sem os seus postos de trabalho o que faz com que hajam maiores diferenças sociais o que segundo os resultados do Relatório, provoca diferenças nos resultados, uma vez que os alunos com melhor apoio social e parental apresentam melhores resultados nas três matérias: matemática, ciências e leitura».
Análise Geral
O MAP Algarve temos de realça o facto de Portugal «estar a par da média da OCDE, no entanto, não podemos descurar estarmos piores que em 2018, o que nos entristece profundamente, acentuando as diferenças entre centro e norte do país, realçando que temos uma percentagem menor de low performers (29,7 por cento) que a média da OCDE (31,1 por cento), o que é bom indicador. Por outro lado, contudo, temos apenas 6,7 por cento dos alunos considerados como top performers, menos dois pontos percentuais que a média da OCDE (8,7)».
Análise Específica
No entanto, «quando verificamos mais detalhadamente o Relatório, e olhando para a região algarvia, é penoso verificar que foi a região com os piores resultados no continente português, apesar de, através das questões colocadas aos 6793 alunos das 244 escolas portuguesas participantes 82 por cento referiram que sentem pertencer à escola».
Este resultados, diz o MAP, «mostram-nos que apesar de sermos dos países mais bem preparados para um ensino à distância, dos alunos inquiridos, 58 por cento disseram ter recebido quase diariamente materiais de estudo por parte dos professores ou de alguém da escola, mas, quase metade dos alunos referiu que nunca foi contatado ou lhes perguntaram como se sentiam por parte de alguém da escola».
Propostas de Ação
Para o movimento é «importante, que todos os envolvidos na educação, desde as entidades competentes, aos sindicatos dos demais profissionais da educação, os profissionais desde os diretores dos agrupamentos escolares, os docentes, os técnicos especializados, os auxiliares de educação, os encarregados de educação e os discendes, tenham consciência da necessidade de formar adequadamente os alunos, sem nunca descurar o apoio social e pessoal aliado a um ensino que se quer adequado e atualizado às necessidades dos dias de hoje, revendo os manuais e os conteúdos programáticos, adequar a profissionalização dos docentes e preparar os novos professores para uma realidade atualizada ao século XXI, onde os alunos e demais comunidade escolar se revejam e se projetem para que a educação portuguesa não seja uma educação, que neste momento achamos medíocre e incapaz de responder às reais necessidades da sociedade contemporânea, incapaz de preparar os jovens para a realidade universitária e do mundo do trabalho».