Produtores de pequenos frutos em Odemira registam danos estimados em 10 milhões de euros devido à passagem da depressão Kristin e pedem ao governo acesso urgente a apoios.
A Lusomorango – Organização de Produtores de Pequenos Frutos alertou hoje para o impacto severo da depressão Kristin nas explorações agrícolas do concelho de Odemira, estimando prejuízos diretos provisórios já superiores a 10 milhões de euros.
Entre as quatro dezenas de produtores associados, a destruição de infraestruturas agrícolas, sistemas de rega e outros equipamentos essenciais à produção levou, para já, à perda entre 50% e 70% da capacidade produtiva das explorações da Lusomorango, segundo indica a organização em comunicado enviado às redações esta quarta-feira, dia 4 de fevereiro.
Estes números são ainda preliminares, numa altura em que as previsões meteorológicas apontam para o agravamento do estado do tempo nos próximos dias, o que poderá «aumentar significativamente os prejuízos e comprometer não apenas a campanha atual, mas também a produção futura».
Perante este cenário, para a fileira dos pequenos frutos e para o futuro agrícola de Odemira, a Lusomorango apela para que o concelho seja incluído no conjunto de medidas extraordinárias anunciadas pelo Governo para apoio às explorações agrícolas localizadas em territórios onde foi decretado o estado de calamidade.
Sem esse enquadramento, alerta a organização, «muitas dezenas de explorações agrícolas e milhares de empregos poderão estar em causa», uma vez que os produtores ficam impedidos de aceder aos apoios extraordinários previstos para fazer face aos estragos provocados pela tempestade.
«Está em causa a capacidade produtiva imediata e futura de um setor estratégico para o país. A destruição de infraestruturas compromete colheitas, contratos de exportação e postos de trabalho», afirma Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango.
O responsável sublinha ainda que, apesar da solidariedade com outras regiões afetadas, «é fundamental que o Governo considere também a gravidade da situação em Odemira e em outros territórios do país e os inclua no perímetro de ajudas destinadas a responder aos efeitos da depressão Kristin».
De acordo com dados citados no comunicado, o Perímetro de Rega do Mira gerou, em 2023, 502 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto, mais de 16 mil postos de trabalho e 134 milhões de euros em receita fiscal, segundo um estudo elaborado pela EY-Parthenon.
A Lusomorango representa uma parcela determinante deste contributo, sendo responsável por 17% da produção nacional de pequenos frutos, com forte peso nas exportações e na coesão social e económica do território.
Em 2024, a fileira dos pequenos frutos exportou 348 milhões de euros, com a Lusomorango a responder por praticamente um terço desse valor.
«O que está hoje em risco não é apenas uma campanha agrícola, mas a continuidade de uma atividade que assegura emprego, fixa população, produz alimentos e gera valor económico para o país», sublinha ainda Joel Vasconcelos. «Perante perdas já muito significativas e perspetivas meteorológicas adversas, fazemos um forte apelo para que o Governo reforce e alargue as medidas de apoio aos agricultores.»
A Lusomorango defende uma resposta «rápida, eficaz e justa», que inclua todos os produtores afetados pela depressão Kristin nos mecanismos de apoio extraordinário, garantindo «simplicidade administrativa e rapidez na execução», de forma a evitar danos irreversíveis na capacidade produtiva, no emprego e no contributo económico e social deste setor estratégico para Portugal.
Foto: Bruno Filipe Pires