As obras da requalificação da Estrada Nacional (EN) 125 estiveram paradas nalguns concelhos, mais de um mês. Foi o caso de Lagoa, na intervenção da rotunda junto às bombas de combustível. O estaleiro ficou montado à espera que os trabalhos fossem retomados.
Ao «barlavento» Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, mostrou-se aborrecido com a paragem, que não teve qualquer aviso prévio por parte da concessionária. «O deadline era finais de março e o pior é que se foram embora no final desse mês. A EN 125 tem diversos estaleiros montados sem ninguém a trabalhar, ou com pouca gente, numa série de frentes de obra, em Lagoa, Loulé, Portimão, Albufeira», lamentou o autarca, na semana passada.
Com o verão às portas, esta é a situação que mais preocupa o autarca lagoense, que afirma ser «incompreensível» no final de maio existir um cenário destes para receber os turistas que já começam a chegar ao concelho e à região.
Também em Loulé, esteve em cima da mesa o encerramento da EN 125 entre Maritenda e Fontainhas no verão. «De acordo com os planos iniciais, entretanto interrompidos, seria cortada para fazer duas passagens superiores para a via férrea. Atendendo a uma negociação feita, não na praça pública, mas junto das instâncias administrativas, conseguiu-se no concelho de Loulé e Albufeira protelar para depois do verão a interrupção da EN 125», o que na visão de Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé, representa uma vitória. A opção de avançar já com o corte nem era «difícil ou caótica», seria «impensável», disse ao «barlavento».
À margem do descerramento da placa da Estrada Nacional 2, em Faro, na sexta-feira passada, 20 de maio, António Ramalho, presidente do conselho de administração da Infraestruturas de Portugal, explicou que a empresa tem «a exigência sobre o concessionário de que não haverá obras em via durante o verão e, qualquer intervenção que seja feita, terá que ser sempre coordenada entre o concessionário, a Infraestruturas e a Câmara Municipal local», garantiu. Ou seja, deixou a promessa que será «extremamente exigente» nesta questão.
Tanto que, ainda há poucas semanas, recusou, no plano de trabalhos, o início de algumas obras que poderiam prolongar-se pelo verão dentro, admitiu o responsável, mencionando o polémico corte de via em Loulé.
Quanto aos atrasos em Lagoa, António Ramalho defendeu que apenas pode tentar «controlar os timmings» e que todas «as preocupações que os municípios têm» a Infraestruturas «também as tem». O responsável acrescentava, no dia 20, que a obra na rotunda em Lagoa recomeçaria a 23 de maio, e que a sua entidade «iria controlar» a intervenção para garantir o seu recomeço. De facto, recomeçou, mas está a meio gás e não tem data prevista para a conclusão.