Hoje, face à investida neoliberal, que Naomi Klein, entre outros, tão bem descreve no seu livro «A Doutrina do Choque – A Ascensão do Capitalismo de Desastre» (numa edição, já agora, para eventual interessado e passe a publicidade, SmartBook) e de que este governo tem sido capataz aplicado a pretexto da «crise», em que se favorece, escandalosamente, cada vez mais o capital em detrimento do mundo do trabalho, cavando-se, entre eles, um cada vez maior fosso no respeitante a distribuição de riqueza, há um novo medo que se tem vindo a instalar, o medo da «entidade patronal», de se ficar desempregado, de não se ver renovado o contrato ou do contrato, mesmo que precário, não se conseguir alcançar, de não se poder constituir família e ter filhos, medo que permite o eliminar de direitos laborais arduamente conquistados ao longo de anos, cedendo a mais «metas», mais «resultados», «mais-valias»… a troco de menos salários, menos descanso e lazer, que este últimos só para o capital em «resorts» de luxo, com comida «gourmet». Mas um homem com medo não é livre e o sentido de liberdade sempre acabará por vir ao de cima, como aconteceu com os escravos, com os colonizados… como aconteceu em 25 de Abril de 1974, em que num dia, naquele que era, eufemisticamente, classificado como um «jardim à beira-mar plantado», o regime folgava, não na Aula Magna entre risos e risotas, mas com a vassalagem dum grupo de generais que viria a ficar conhecido como a «Brigada do Reumático» e, no outro, caía como um simples baralho de cartas. * Advogado