«Muitos cursos continuam a ser concebidos para jovens recém-saídos do ensino secundário, sem considerar as dificuldades e exigências de um profissional que regressa à sala de aula após anos de experiência no mercado de trabalho», opina André Pereira Rodrigues.
Participei no Encontro sobre «Educação a Distância e Inovação Pedagógica: Desafios e Caminhos para o Futuro no Ensino Superior», um evento organizado pela Universidade Aberta, que pertence ao consorcio INOV3P, e que reuniu representantes de universidades nacionais e europeias para discutir o futuro da aprendizagem universitária, no dia 17 de março.
Após esse encontro, tornou-se ainda mais evidente que a educação superior está a atravessar uma transformação profunda, impulsionada pela digitalização, pelas novas exigências do mercado de trabalho e, sobretudo, pela necessidade crescente de aprendizagem ao longo da vida.
Entre os temas debatidos, um destacou-se de forma incontornável: o aumento significativo do número de adultos com mais de 35 anos que regressam à universidade, muitos deles através do ensino online.
Este fenómeno, acelerado pela pandemia, reflete não apenas a necessidade de requalificação profissional num mundo em rápida mudança, mas também o reconhecimento de que a aprendizagem não pode ter um ponto final.
Num contexto de crescente automação e inovação tecnológica, manter-se atualizado é uma exigência, e o ensino online oferece a flexibilidade que muitos procuram para conciliar estudos com trabalho e vida familiar.
Contudo, este crescimento não pode ser visto apenas como um sinal positivo; é também um desafio para as universidades, que precisam de adaptar as suas estruturas para responder a um público com experiências, expetativas e necessidades muito diferentes das de um estudante tradicional.
Muitos cursos continuam a ser concebidos para jovens recém-saídos do ensino secundário, sem considerar as dificuldades e exigências de um profissional que regressa à sala de aula após anos de experiência no mercado de trabalho.
Se queremos que o ensino superior continue a ser um motor de crescimento e inovação, é fundamental que as universidades reestruturem os seus programas, tornando-os mais dinâmicos, acessíveis e alinhados com as reais necessidades do mercado de trabalho europeu.
Isso passa por currículos mais flexíveis, por metodologias pedagógicas inovadoras e pela valorização da experiência profissional dos estudantes.
Além disso, é essencial garantir que os conteúdos são relevantes e aplicáveis, preparando os graduados para os desafios concretos das suas áreas de atuação.
O ensino online é, sem dúvida, um caminho promissor para esta transformação. No entanto, a sua eficácia dependerá do compromisso das instituições de ensino em criar ambientes digitais de aprendizagem interativos e estimulantes, que promovam o pensamento crítico e a aplicação prática do conhecimento.
O simples acesso a conteúdos digitais não é suficiente; é preciso investir na construção de experiências formativas que envolvam, desafiem e motivem os estudantes.
Mais do que nunca, a universidade precisa de abrir as suas portas a todos, independentemente da idade ou do percurso profissional.
O futuro da educação não pertence apenas aos jovens, mas a todos aqueles que compreendem que o conhecimento é uma ferramenta essencial para se adaptar e prosperar num mundo em constante mudança.
O desafio está lançado: cabe às instituições de ensino assumir um papel ativo nesta revolução e garantir que o ensino superior continua a ser uma oportunidade real para todos, em qualquer fase da vida.
Foto: LinkedIn Sales Solutions / Unsplash.