O Ministério Público (MP) pediu hoje prisão efetiva para o homem acusado de esfaquear a ex-namorada, que veio a morrer, em junho de 2023 em Lagoa, tendo a defesa pedido a sua absolvição.
Nas alegações finais do julgamento que decorre em Portimão, o procurador do Ministério Público pediu uma pena de prisão de 14 anos para Tiago Souto, de 22 anos, em prisão preventiva pelo crime de homicídio qualificado na forma tentada à sua ex-namorada.
«Uma punição severa é o que se exige» alegou em tribunal o procurador do Ministério Público, considerando que o arguido desferiu dois golpes com uma faca no pescoço de Joana Nascimento «com intenção de a matar».
Os factos remontam a 15 de junho de 2023, quando o homem esperou que a ex-namorada, de 26 anos, saísse do trabalho e, quando esta se encontrava dentro do carro, desferiu-lhe dois golpes no pescoço com uma navalha.
Joana Nascimento recebeu tratamento hospitalar e teve alta no próprio dia, mas voltou a ser internada no dia 22 de junho no Hospital de Portimão com uma infeção grave provocada pelos ferimentos.
A vítima foi transportada de helicóptero para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde morreu na noite de dia 23, em consequência de um abcesso pós-traumático, complicado de sépsis (infeção generalizada), refere o relatório da autópsia.
Para o MP, as agressões ocorreram porque o arguido «nunca se conformou com o fim da relação» que a vítima não queria continuar, agindo com sentimento de posse e de domínio.
O procurador considerou que ficou provado em tribunal que o arguido «com consideráveis» antecedentes de crime «desferiu os golpes com a navalha com intenção de matar», não tendo manifestado, durante as audiências, quaisquer sinais de arrependimento.
Durante a sua intervenção, o MP pediu que se denunciem atempadamente e o mais depressa possível as relações e os comportamentos violentos, para que os mesmos possam ser punidos exemplarmente pelos tribunais.
A advogada de acusação pediu igualmente uma pena de prisão efetiva para o arguido, considerando que o mesmo «agiu com dolo e com intenção de matar», sabendo que o resultado seria esse ao atingir a Joana numa zona sensível do corpo, o pescoço.
A representante dos familiares da vítima pede igualmente uma indemnização de 60 mil euros.
Já a advogada de defesa pediu a absolvição do arguido, por entender que não existe prova suficiente para a condenação, alegando que as testemunhas ouvidas em tribunal não tiveram conhecimento direto dos factos, mas apenas pelo relato da vítima nos dias que antecederam o seu internamento hospitalar.
A leitura do acórdão ficou marcada para o dia 06 de maio, às 13h30 no Tribunal de Portimão.