«Não é habitual termos programa de reveillon em Monchique, mas no ano passado fizémo-lo, pela primeira vez, integrado no projeto Lavrar o Mar também com um espetáculo de novo circo. A última sessão prolongou-se pela noite dentro com festa», recorda Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique, ao «barlavento».
Este ano, a receita será repetida com uma companhia diferente, a francesa Akoreacro. Na última noite de 2017, quando a sessão terminar e o público sair da tenda, o autarca garante que «vão haver surpresas» para atrair visitantes e «mantê-los aqui», refere. Até porque já há oferta para pernoitar, com alguma dimensão, para quem quiser evitar descer a serra na primeira madrugada de 2018.
«Nos últimos dois ou três anos houve um incremento grande de alojamento local, de turismo rural e agro-turismo, tendo o concelho já mais de 100 unidades registadas», avança o autarca.
«Monchique já não é só um local de passagem. Estas ocasiões são também uma oportunidade para as pessoas poderem ficar mais tempo connosco. O município tomou um bocadinho a responsabilidade de, com esta programação, criar condições para que haja eventos de forma mais regular, que promovam a restauração local e esta oferta disponível, que tem muita qualidade», sublinha.

A verdade é que o projeto «Lavrar o Mar» já estava delineado com a cooperativa Cosanostra, de Madalena Victorino e Giacomo Scalisi, muito antes de haver «365 Algarve».
«Pensámos que seria uma iniciativa muito importante para Monchique e Aljezur e, nessa altura, mostramos total abertura, inclusive para investir, porque sabemos que a aposta na cultura traz um enorme retorno na dinamização do território. A cultura atrai pessoas, mas também dá aos que cá vivem uma oferta de grande nível», lembrou o autarca. Ambos os concelhos acolhem, assim, grupos e companhias de renome, que têm elevado as expetativas dos visitantes e que, «se calhar, muitas cidades não têm», compara.
Por isso, Rui André viu com grande «satisfação os apoios da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve no âmbito do PO regional, e agora do 365 Algarve». Complementam «um projeto que já estava definido. Nós tínhamos uma programação feita para três anos, no âmbito do Lavrar o Mar. O que aconteceu é que com este apoio muitas das atividades que pretendíamos fazer foram integradas no 365. Daí foi uma mais-valia. Ainda assim os municípios tinham-se comprometido, desde o início, a tornar estas atividades uma realidade», sublinha.
Até agora, tem sido um sucesso, com as iniciativas quase sempre esgotadas. Rui André acredita que também contribui o facto de serem promovidos «espetáculos que, muitas vezes, decorrem em locais pouco convencionais. Assistir a uma versão algarvia de Romeu e Julieta, no interior de uma destilaria de medronho, ao sabor de uma degustação de sabores locais, ou ver malabarismos com troncos de madeira numa antiga serração, são experiências apenas possíveis aqui em Monchique. Junta-se a cultura mais erudita a uma cultura popular que nós ainda temos muito viva. E isto resulta em produtos culturais únicos, porque aquilo a que as pessoas têm oportunidade de assistir em Monchique é irreprodutível. Pode ser feito num sítio parecido, mas não será igual», conclui o autarca.
Três dias para caminhar na natureza
O evento «Monchique Mountain Marathon 2017» desafia todos fãs e adeptos das caminhadas na natureza a escolher 12 percursos, longos e curtos (de 6 a 25 quilómetros), sempre na companhia de guias, à descoberta da serra, da cultura local e da gastronomia do concelho. Os trilhos
passam por montanhas e ribeiros, moinhos e cascatas, sobreiros e castanheiros centenários, entre outras paisagens e pontos de interesse. Decorrem entre quarta-feira, dia 27 de dezembro, e sexta-feira, dia 29. Há dois pontos de partida: o supermercado Intermarché e o Hotel Central das Caldas de Monchique, às 9 horas.
No dia 30 de dezembro, às 6 horas, o desafio é uma maratona de 42,6 quilómetros que percorrerá as três freguesias do concelho, incluindo os picos da Foia e Picota. Todos os participantes terão bebidas quentes e frias, snacks e sopa em sete pontos de apoio. No final, terão a oportunidade de plantar uma árvore. Os vencedores receberão um cabaz de produtos locais no valor de 1000 euros. Os lucros do evento revertem para a manutenção dos percursos de caminhada locais e para a reflorestação de espécies autóctones. A organização é da revista «Eco123», associação Caminhadas em Portugal, e outros parceiros, com o apoio da autarquia. Está disponível o contacto 926 600 099 para inscrições e informações mais detalhadas sobre como participar.
Floresta é tema natalício
O tema genérico do «Monchique Serra Natal» deste ano é a floresta. «O importante mesmo é comemorar o Natal, procurando, numa altura em que se celebram os valores da família e da amizade, valorizar um elemento muito importante do nosso património», justifica Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique, ouvido pelo «barlavento».
Será «o fio condutor» da programação, na qual se destaca um presépio de tamanho real esculpido ao vivo em madeira, até dia 17 de dezembro. «Cada criança vai receber uma agenda com um convite para ir às várias estações [pontos de atividades espalhados pelo centro da vila], onde que cada uma tem uma iniciativa ligada à floresta. Será possível visitar o mercadinho de Natal, entre dia 16 e dia 20, das 10h00 às 18h00, no Largo dos Chorões. Terá artesanato tradicional, novas criações e produtos alimentares da região. Em paralelo, dias 16 e 17, haverá animação infantil e oficinas. O carrossel funcionará entre sábado e dia 20, assim como a casa do Pai Natal. Já a chegada do velhote de barbas brancas está marcado para domingo, dia 17, às 16h00. O programa inclui ainda um concerto de Natal pelos alunos do Agrupamento de Escolas de Monchique, hoje, às 9h30, no restaurante Fonte dos Chorões, e, no mesmo local, a apresentação do livro «Rimas das minhas insónias», da autora Noémia Urbano Ribeiro, pela professora Denise Estrócio, no dia 16, às 15h30. De 15 de dezembro a 6 de janeiro realiza-se a 6ª Mostra Gastronómica de Natal «Sabores de Monchique». Outro dos pontos altos será o concerto pelo Coro Infantil e Jovem «Vivaci Vivacissimo», da paróquia de Monchique, que está marcado para dia 22 de dezembro, às 21h00, na Igreja Matriz da vila.
A autarquia lançou ainda um concurso de montras no comércio local, e um sorteio destinado a premiar quem aí fizer compras, até final do mês. O primeiro prémio é uma bicicleta elétrica. No dia 5 de janeiro, às 20h30, no Largo dos Chorões, decorre o tradicional Encontro de Reis, e no dia 6, às 21h00, na Igreja Matriz de Monchique, o concerto de Ano Novo pela Banda Filarmónica de Silves.